Ontem, sábado, dia 19/03, tive minha rotina de servidora municipal alterada. Geralmente, aos sábados, tento acordar um pouquinho mais tarde, encaro meus afazeres domésticos que se acumularam durante a semana, devido a uma rotina semanal onde me desloco entre duas escolas em pontos opostos da cidade. Rotina de muitas colegas de profissão, e muitos outros servidores do município, às vezes com alguma variação, mas muito parecida.
No dia de hoje (ontem) como há 3 dias, me levantei, tomei meu banho e parti rumo ao sindicato. Sim, sou uma servidora municipal, professora em greve. A missão hoje (ontem) era ir até a inauguração da praça do avião para mobilizarmos o prefeito a nos receber para negociações, pois há 3 dias tentamos conversa e apenas secretários e assessores nos recebem.
Conseguimos contato visual, uma foto, uma linda fala onde ele dizia: “Vocês têm meu apoio”. Fiz cara de paisagem e fingi acreditar, porém, não arredei o pé da cerimônia, e, como meus colegas, fritamos num sol que parecia estar a uns 10 metros de nossas cabeças, resistimos, somos forte, iremos resistir até o fim. Vimos a população nos apoiando, a mídia nos apoiando, um senhor, seu Moreira, aposentado, 92 anos, nos acompanhando cobrando seus direitos, mas, e aí? Extra-oficialmente, conseguimos uma promessa que talvez terça-feira ele nos receba. Não somos alienados políticos, sabemos da situação que o país está passando, porém, não podemos deixar que a crise seja muleta para o escape de todos os problemas que a administração está passando.
Eu, enquanto professora, enfrento uma rotina todo inicio de semana que se chama planejamento, onde tenho que planejar minhas atividades a serem trabalhadas durante a semana com meus alunos, inclusive pensando em planos alternativos se algo durante o percurso acontecer. Portanto, acredito que alguém não esteja fazendo a lição de casa, pois o planejamento não está batendo com o que se deve fazer de fato.
Há um salário defasado 18%, pois esse é o numero da inflação que foi deixado de ser reposta durante esses 2 anos, mas tenho certeza que esse número é muito maior. O que eu comprava há um ano ficou na ilusão, levo para casa apenas o necessário, daquela lista, tive, como a maioria, que cortar muitos gastos, não estamos pedindo nada além do que é nosso por direito.
Peço em nome de todos os servidores em greve que a população nos entenda e nos apoie, não paramos para ficar em nossas casas à-toa, a greve é cansativa, chegando a pontos exaustivos, mas se esse é o único mecanismo possível para que a sociedade em geral e a administração veja que o servidor está cada dia mais desvalorizado, é desse mecanismo que vamos fazer uso.
Respeitamos os colegas que não aderiram por algum motivo, mas a reflexão que deixo é: eu luto pelo acredito, e você, luta pelo quê?