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| Renata com o bebê Rafael, Rizoneire, Fabiana com o filho Leonardo, Vania e Andrea Sobral comemoram a chegada dos kits aquáticos |
Os deficientes auditivos de Bauru tiveram mais uma conquista graças à iniciativa de um grupo de mães, que conseguiu, na Justiça, oito kits aquáticos para os seus filhos. Os itens permitem que as crianças possam ouvir até debaixo d’água, uma vez que possuem capas impermeáveis. Uma das mães é a corretora de imóveis Andrea Sobral, 39 anos, que emprestou o aparelho de implante coclear reserva de sua filha Maryana para a pequena Emanuelle, lá de Minas Gerais, até que ela conseguisse adquirir outro de maneira definitiva (leia mais abaixo).
Quanto à nova conquista das crianças com deficiência auditiva, o promotor da Infância e Juventude de Bauru, Lucas Pimentel, ingressou com uma ação em setembro do ano passado e, após aproximadamente 40 dias, obteve uma liminar favorável. Anteontem, as mães retiraram os kits junto ao Departamento Regional de Saúde (DRS-6) e, no mesmo dia, as crianças puderam ouvir enquanto tomavam banho.
O promotor informou à reportagem que protocolou, no dia 8 de março deste ano, uma petição intermediária, ou seja, um pedido para que o juiz oficiasse o DRS-6 acerca da necessidade da distribuição imediata dos kits, conquista que havia sido obtida através de uma liminar, ainda no ano passado. Em menos de dez dias, os equipamentos já estavam nas mãos das crianças. Algumas delas não perderam tempo e correram para a piscina.
Estreia
Esse é o caso da filha de Andrea, Maryana Sobral Delasta, 5 anos. A menina, que havia saído das aulas de natação justamente pelo fato de não suportar o silêncio, já está pensando em voltar a praticar o esporte. Ontem, inclusive, ela estreou o equipamento na piscina do prédio de um amigo, que também é deficiente auditivo, mas ainda não possui o kit. “Não é um luxo, porque eu ouço 24 horas por dia e eles têm o mesmo direito”, defende Andrea.
Antes de conseguir o equipamento de forma gratuita, a corretora de imóveis pesquisou preços e descobriu que cada kit custa, em média R$ 1,5 mil. “Além disso, a durabilidade dos kits é de 50 usos, ou seja, são muito caros e não são permanentes. Eu não teria condições de comprar”, justifica. Andrea repassou a novidade para outras mães, que também deverão contar com o auxílio da Justiça para adquirir os kits.
Corrente do bem
Conforme o JC noticiou em novembro do ano passado, Andrea se solidarizou com o caso de Emanuelle Ventura Justino, 8 anos, que teve o aparelho de implante coclear de R$ 40 mil furtado em Minas Gerais. Mesmo sem sequer conhecer a família de Belo Horizonte, ela decidiu emprestar o equipamento reserva de sua filha até que os pais de Emanuelle conseguissem adquirir outro de maneira definitiva.
Quando recebeu a notícia de que Andrea emprestaria o aparelho, Tatiane Ventura Justino, mãe de Emanuelle, ficou surpresa. Na época, ela tentou adquirir um novo produto junto ao plano de saúde, mas não conseguiu. Atualmente, a consultora de vendas decidiu recorrer à Justiça e o aparelho de Maryana ainda está com Emanuelle. Pelo visto, o bem que Andrea fez à garota mineira retornou em dobro à sua filha, que agora ouve até debaixo d’água.
