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Bombas humanas

João Pedro Feza
| Tempo de leitura: 2 min

Uma figura vai se firmando no imaginário coletivo. Desperta temor e deixa atarantados aqueles que tentam prever os seus passos. O homem-bomba, hoje, é personagem central da geopolítica planetária. É ele o atacante do jogo do terror. Imprevisível presença que deixa o mundo aos pés de seus pés detonados. Age por uma causa ou, mais do que isso, por uma ambição: ser protagonista do caos. Vem conseguindo.  


Por aqui, no nosso Brasil velho de guerra, não somos assombrados por tal fantasma nos moldes árabes ou europeus. Mas, é claro, não poderíamos ficar atrás. Temos nosso bomem-bomba também. No sentido figurativo, mas igualmente capaz de causar estragos gigantescos. E não poderia ser em outro setor que não fosse a política: ela própria nitroglicerina pura.


Um famoso homem-bomba de que se tem notícia foi Pedro Collor: os mais maduros vão lembrar que foi dele, em 1992, a voz da denúncia de corrupção política envolvida nas sombrias atuações de Paulo César Farias no âmbito do governo de Fernando Collor, de quem PC fora tesoureiro na campanha. As cabeludas revelações sobre o “esquema PC” serviram de base para abertura de impeachment de Fernando, o destemido, o que perdurou até a sua renúncia em 29 de dezembro daquele ano.  


Outro famoso homem-bomba brasileiro foi Roberto Jefferson - ex homem de frente da tropa de choque de Collor contra o impeachment e que virou denunciante da compra de votos na Câmara atribuída ao PT no governo Lula (o famoso mensalão). Jefferson acabou condenado por corrupção e lavagem de dinheiro (ou seria “levagem” de dinheiro”?). Seus dez anos de prisão já se transformaram em regime aberto.


Em 2016 surge outro homem-bomba: Delcídio do Amaral. Ex-líder petista do governo no Senado, hoje sem partido, foi preso no fim de 2015 acusado de tentar “melar” delação premiada de Nestor Cerveró (ex-Petrobras). Acuado, saiu disparando contra o governo Dilma e Lula - e fez a República novamente tremer.  


Certamente há outros homens-bomba em potencial no País. Estão por aí, à espreita, em fase de germinação. Surgirão como seus antecessores: raivosos por terem interesses contrariados, mas também com verdades explosivas para detonar.


O autor é editor executivo do JC

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