Mais uma semana, mais uma segunda-feira, mais uma leitura inspiradora. Como sempre, uma de minhas primeiras atividades matinais é leitura do Segunda-Feira, mais especificamente da coluna do João Jabbour, a quem tenho o privilégio de chamar de amigo. Amigo verdadeiro, daqueles à moda antiga, no qual podemos confiar, contar nos bons e nos não tão bons momentos da vida, daqueles que a gente guarda no lado esquerdo do peito.
Pois bem, depois da leitura matutina, bastante inspiradora, não somente por homenagear duas bauruenses merecedoras da deferência que receberam, mas também por brincar com minha imaginação e levar-me a alguns devaneios, os quais decidi registrar e tomar a liberdade de entrar na brincadeira do faz de conta. Com essa disposição pus-me a pensar e me lembrei de alguns reinos fictícios que bem poderiam ser conectados à realidade, com boa dose de criatividade e sem medo de esbarrar naqueles que dirão que é insensatez ou desvario.
O primeiro a se achegar a minha memória foi o Reino da Dinamarca, com Hamlet em seu eterno luto, assombrado pelo pai, que fora assassinado pelo próprio irmão! Em quantas terras não encontraremos muitos Hamlets assombrados, não pelo fantasma de algum pai vitimado pela ganância e desejo de poder, mas por fantasmas reais, palpáveis, que os ameaçam com a possibilidade de verem descobertas suas falcatruas, mandos e desmandos. Entretanto, pode ser que a estes personagens shakespearianos pós-modernos, falte a dose da ética que existia naquele e que o levava ao constante e célebre questionamento “ser ou não ser?”
Depois dos devaneios dinamarqueses, cheguei ao país da Alice, onde certamente haveria o Chapeleiro Maluco, que pode ser personificado por uma miríade de políticos das mais diversas nacionalidades, inclusive com belos exemplares nacionais, o Mestre Gato, dando respostas, aparentemente, evasivas e furtivas aos questionamentos da linda menina, mas com ensinamentos inspiradores sobre a arte de saber aonde se quer chegar para escolher o caminho a seguir. Haveria, ainda a Rainha de Copas, ditadora nata, a esbravejar: cortem-lhe a cabeça! Coitadinha da Alice!
Não posso me esquecer do Coelho Branco, todo empoado, olhando avidamente seu refinado relógio de bolso, tentando colocar ordem nas coisas, movimentando-se rapidamente, meio sem rumo, sem saber para onde ir. Nesse país, são comemorados os desaniversários, em outros reinos, poderiam ser comemoradas as deseleições, quem sabe?
Não me furtando a brasilidade, num ímpeto regionalista, recordei-me, também, do Reino da Águas Claras, com as travessuras da boneca Emília, sempre apresentando ideias mirabolantes para encontrar soluções para as diferentes sinucas da vida, a sapiência do Visconde de Sabugosa, a ponderar, ética e moralmente sobre fatos e acontecidos e a inocência de Narizinho, menina pura, bondosa e generosa, sempre cheia de boas intenções, mas muitas vezes ludibriada por Emília, sua melhor amiga.
Esses reinos, é claro, não existem, são quimeras, mas seus criadores podem ter se inspirado na vida real, de tempos idos. Eu, por minha vez, farei como fazem alguns veículos de comunicação televisiva, esta é uma obra de ficção, qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência!