Articulistas

Abraço de urso

Fernando José Martha de Pinho
| Tempo de leitura: 2 min

Numa tentativa grosseira de tentar manipular a opinião pública, os integrantes do Governo Federal e dos partidos da base aliada insistem na tese fantasiosa de que está havendo uma grave ameaça ao Estado de Direito, chamando-a de golpe, como se as vítimas fossem os atuais mandatários da Nação e não a população que sofre, desde o governo Lula 2, com toda sorte de desmandos: mentiras descaradas nos debates das campanhas eleitorais, cinismo, parcerias com países do Cone Sul permanentemente governados por populistas inaptos à administração pública, nomeação de ministros sem a devida experiência prática e competência comprovada, loteamento político de importantes funções nos ministérios e estatais, compadrio de toda sorte, destruição gigantesca do patrimônio da Petrobras e do caixa dos fundos de pensão das estatais, conluios com fornecedores, manipulação criminosa das contas públicas, represamento de reajustes dos combustíveis e eletricidade, experimentalismos primários em termos de gestão pública (Nova Matriz Econômica), desemprego crescente, inflação alta e mais uma lista interminável de medidas intervencionistas desastradas na economia, próprias de iniciantes no assunto.


Houve, portanto, um golpe perpetrado pelo Estado e não contra o Estado. Felizmente, a verdade apareceu por meio de denúncias e prisões, inteligentemente arquitetadas pelo MPF e MPEs, Polícia Federal, magistratura de primeira instância e STF, bem como pela pressão de jornalistas e opinião pública esclarecida (sempre atenta aos desmandos). A batalha pelo impeachment está só começando, mas em breve deveremos ter conseguido libertar definitivamente a Nação das consequências nefastas de más escolhas políticas.


Por mais que os atuais governantes agarrem-se a chicanas jurídicas para manterem-se nos cargos, é visível o desespero para evitar o inevitável, a expulsão da função pública e suas terríveis consequências. A iniciativa privada espera ansiosamente por um novo governo, já que há hoje um montante vultoso de recursos imobilizados em ativos financeiros no sistema bancário aguardando para retornar à atividade produtiva. A última cartada para tentar salvar o moribundo Governo Federal é levar Lula para as entranhas do poder constituído, que continua estranhamente sendo chamado de presidente.


A meu ver isso pode ser muito bom, já que como Dilma e Lula são reconhecidamente pessoas de temperamento forte, fatalmente entrarão permanentemente em rota de colisão, visando disputar parcelas de poder, enfraquecendo a gestão e facilitando o processo de impeachment. Afinal, inoperância é o que não falta a esse governo. E, como num abraço de urso, o abraçado pelo mesmo acabará sendo esmagado. A Nação, que clama por momentos melhores, agradecerá ao urso eternamente, por relevantes serviços prestados à estabilidade política e econômica.


O autor é economista

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