Tribuna do Leitor

Ginástica Olímpica de Bauru

Olynda Aparecida Bassan Franco
| Tempo de leitura: 3 min

Aconteceu no dia 19 a primeira competição interna da Ginástica Olímpica de Bauru, comandada pela competente técnica Débora. Noite artística, prazerosa, mas não pude deixar de refletir no que meus olhos enxergavam e minha alma sentia naquele evento.


Nos textos bíblicos encontramos a frase “Olhai as aves do céu: não semeiam, não ceifam... e o vosso Pai Celeste alimenta-as”. Mensagem de serenidade, de confiança construída na maturidade emocional, na maturidade da Fé, na resolução dos conflitos, mas não será a ideia do “não fazer”, de deitar - se na rede e esperar que o Maná caia do céu. Aplica-se se ao esporte também, o qual requer muito empenho e perseverança, moldados num espírito de garra, de paciência.


Estou vestindo os sapatos da Ginástica Olímpica de Bauru com a entrada recente da minha neta à equipe de treinamento desta modalidade de esporte. Eu estou tomando ciência das dificuldades encontradas no cotidiano esportivo. Durante a competição vivi o paradoxo do belo e do feio; da vontade da comunidade e do descaso público; do brilho e das sombras. Era visível o contraste dos atletas, desfilando vaidosos em sua performance, com olhar de “tigre”; com a feiura das instalações físicas. Faltava estilo, cores no ambiente. Não tinha o viço das ginastas.


A imagem do ginásio de esportes Guilherme Dal Colletto é de abandono. Não tem passado por lá equipe de limpeza, de manutenção. Os pais, atletas, organizados em “Associação de amigos da Ginástica” se cotizaram na limpeza do local, que não é pequeno, para que se tivesse o mínimo de higiene, de organização para o acolhimento das pessoas. Mexeram e remexeram nos inúmeros colchões, independente das dores do joelho, da coluna. A vontade era maior que o desconforto. A Ginástica Olímpica portadora de medalhas e que propaga o nome de Bauru em Jogos Regionais merece valoração.


Os holofotes estavam apagados e eram poucas as lâmpadas acesas. A penumbra entristecia a apresentação em meio a aplausos. Som precário: nada profissional. Ali era a raça, o acreditar, o amor é que impeliam o espetáculo. A parceria da comunidade é salutar na moderna gestão, mas a infraestrutura, o apoio logístico acredito que esteja a cargo do Poder Municipal, proporcionando, assim, condições adequadas à pratica do Esporte, no entusiasmo, no sentimento de pertença. O ginásio é amplo, existem aparelhos adequados e em quantidade, mas falta a manutenção, o olhar cuidadoso do responsável. O querer sentir: “Eu sou valorizada”. Não há verba destinada a este setor? Que estrutura poderia ser acrescentada? Talvez um encontro entre as partes?


Este é um olhar in “in loco”, vivenciado no dia a dia dos treinos, também. Parabéns à equipe da Ginástica Olímpica de Bauru. Trabalho sério a caminho de conquistas. Encerro com um apelo à Semel: passa por lá! Não é muito o que a comunidade pede. Acredito que essa Secretaria tenha condições de prover uma melhor qualidade de vida esportiva à Ginástica Olímpica. Quero sentir o belo naquele lugar. O amor dos atletas é inenarrável ao levantarem os braços com tamanha graciosidade, nos movimentos limpos, sorriso largo, que iluminam o olhar de quem faz o que gosta.

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