Articulistas

A crise da Emdurb

Archimedes A. Raia Jr
| Tempo de leitura: 2 min

Já havia manifestado publicamente, algumas vezes, sobre a gestão da Emdurb, neste mesmo espaço. Retorno ao tema após a matéria “Emdurb tem prejuízo de R$ 3,6 mi em 2015 e acende o sinal vermelho”, publicada no JC do dia 30.3.2016 e que retrata uma crise enfrentada pela Empresa e Administração Municipal. Afirma a matéria “ter vindo a público a preocupação do prefeito Rodrigo Agostinho acerca da possível inviabilidade financeira da Emdurb em curto e médio prazo”.

Em artigos publicados em 2006 e 2015, procurei reforçar que a Empresa foi criada, em 1979, com a denominação de Emturb-Empresa Municipal de Transportes Urbanos de Bauru, na forma de empresa pública.


Como competência da Emturb, foram definidas as responsabilidades pela gestão do Terminal Rodoviário de Passageiros, do trânsito e transporte coletivo urbano, e a compatibilização das políticas de transportes e desenvolvimento físico do município. Porém, alterações significativas foram introduzidas em seu arcabouço. Em 1986, lhe foram conferidas atribuições bem distintas das iniciais: serviços funerários/cemitérios e o abastecimento. Em 1993, adicionais competências associadas ao desenvolvimento urbano e rural, limpeza pública e a destinação do lixo. O Poder Público, através destas constantes alterações, foi descaracterizando o seu perfil primeiro.


Apontam importantes autores sobre gestão empresarial que se deve manter o “foco no negócio”, cujo principal objetivo é fazer com que a empresa explore sua maior vocação, baseado em fatores importantes, tais como: seus clientes, produtos, tecnologia, para a definição de estratégias com o intuito de expandir e manter seu “negócio” vivo.


Na prática, isto quer dizer que se deve gastar suas forças com as atividades precípuas, deixando para terceiros outras atividades. Ora, a atividade basilar da Emdurb sempre foi o setor de transportes (trânsito, transporte coletivo, terminal, etc.), e assim deveria continuar, incluindo a responsabilidade pelo aeroporto central.


Os problemas relacionados a estas áreas são por demais proeminentes nos dias atuais para dividirem o seu foco, esforços, recursos com outras áreas não correlatas (cemitérios e serviços funerários, coleta de lixo, limpeza pública). Estes serviços deveriam ser alocados em outros setores da Administração. Eles têm consumido muitos esforços da Emdurb, não possibilitando os resultados esperados.


Os problemas relacionados ao saneamento urbano são igualmente importantes e precisariam ser tratados de maneira holística pela Administração. A cidade merece esse tratamento para melhorar a qualidade de vida oferecida aos seus moradores.


Atualmente, em todo o mundo, há grande preocupação dos órgãos gestores em relação à mobilidade urbana sustentável. Este enfoque abarca muita especialização, estudos, conhecimento de novas experiências exitosas no Brasil e Exterior, planejamento e sua colocação em prática.


Com tantos problemas de trânsito, transporte coletivo e mobilidade urbana enfrentados na cidade, seria conveniente, neste momento, fazer-se uma reengenharia e devolver à Emdurb sua vocação primitiva. Estes graves problemas só podem ser efetivamente enfrentados com sucesso através de um órgão dotado de gestão moderna, eficaz e com qualidade, explicitamente focado. Isto só será possível com o seu enxugamento e racionalização.


O autor é professor de Administração de Transportes da UFSCar, ex-diretor da Emdurb, diretor de Mobilidade da Assenag e do Conselho Diretor da ANTP.

Comentários

Comentários