Tribuna do Leitor

Lamento de um Tapuia

Jamel Vilela
| Tempo de leitura: 1 min

Eu sou Tapuia guerreiro cacique dos Tapuias. Tenho mulher, filhos, mãe, pai e avós. Tenho Deus, Santos natureza glória e prazeres, tenho os matos cachoeiras e colinas, rios, bichos, aves, o dia e a noite. Agora sou um espírito, um orixá a serviço de Tupã servindo a Ubiratan de guia, meu cavalo é a Sagrada Umbanda. Vocês, “médium, babalaos, assistência e seres”, são agora minha família. São meus pais, meus irmãos, primos, tios e avós. Agora também tenho netos.


Tenho as matas, os rios as montanhas, cachoeiras, os dias, as noites, os desejos, vontades e sonhos, dores alegrias, conquistas e derrotas. Vivo e protejo tudo isto, mais o bem-estar e a saúde, e procuro tirar suas dores. Mesmo na fraqueza do conhecimento procuro ser o melhor professor, conselheiro e ouvinte no seu momento de dor.


Eu prometo, vocês, qualquer um de vocês, podem desgostar de mim, não mais crer no meu nome, ajuda e amor. Podem ir embora morar, reinos em outra oca, mas jamais irão me esquecer, pois em lugar algum neste reino terás o poder, o amor, a sinceridade, a proteção que aqui tiveram, mesmo que achem alguém mais forte com uma nação maior jamais terão o que tem aqui. Pois vocês são e eternamente serão a minha família, meus protegidos. Mais longe, muito mais longe, é poder, a clava e o alcance de Itapúias. Eu sou Itapura, eu sou o guardador, eu sou Tapuia.

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