Estou cansada de me sentir conduzida pelos avessos, com linhas emaranhadas pela corrupção, pelos interesses próprios e não públicos. Poxa, na escola me ensinaram que política era arte, ciência, administrador de interesse público, um bem comum. Cansada de brincarem de casinha com o meu dinheiro, de “repartirem as vestes entre eles”, deixando-me à deriva da estrada, com minha nudez de símbolos, de arquétipos que me inspirariam a dizer: “Quando eu crescer quero ser como eles.”
Cansada de conceber a dúvida: temos várias constituições? Tantos entendimentos e veredictos sobre o mesmo fato. O verso e o reverso da democracia são provados pela constitucionalidade, assegurando a supremacia da Carta Magna, fazendo uso das “brechas da Lei”. Um puxar a sardinha para a sua brasa, mais incandescente que a outra. Trava-se o País. Cansada de ler as estatísticas sobre inflação e constatar que a conta não fecha com o meu bolso, que parece estar furado e não há costureira que dê jeito. As agulhas entortam no tecido duro da realidade.
Cansada dos conchavos que vão além das colisões partidárias e das parcerias necessárias para a governabilidade. O toma lá, dá cá, usurpando o erário público (leia-se nosso). Cansada da profissionalização dos mandatos na vereança, deputados e senadores. Poucos, com muito poder durante décadas; os caciques da política, os manda-chuva. Acima do bem e do mal. Cansada da imprensa tendenciosa. Esconde-se informações de acordo com interesses. Mas aonde irei me informar dos fatos, que não seja pela imprensa falada e escrita? Vou lendo as notícias, desconstruindo discursos, com dois pés atrás e um na frente.
Cansada de ouvir a frase: a corrupção é cultura brasileira desde o descobrimento. Sim, ela está presente em todos os partidos, ou seria em quase todos? Os partidos são edificados por rostos, almas. Não estou, neste desabafo simplório, analisando partidos, mas pessoas, políticos que disputam o meu voto, no qual outorgo uma procuração universal para os devidos fins, na confiabilidade. Talvez não aja “5 justos” que impediriam a destruição da moral, mas o ser humano é provido de vontades, discernimento e passível de mudança. Precisa-se repetir exaustivamente o mesmo proceder?
Cansada da justificativa do A, declarando que o B, C, D também realizam as mesmas ações ilícitas. Quer dizer, se todo mundo rouba, a conduta dirime a culpa. O meu desejo é que as águas das investigações banhem de A a Z e me devolvam a esperança de que tudo isto seja transitório, nesta nossa Nação tão jovem. Afinal, o que são 500 e poucos anos, na linha do tempo infinita?
Cansada de observar o jeitinho brasileiro, a Lei de Gérson nas pequenas infrações ao virar a esquina; no uso indevido das vagas especiais; pequenos subornos; o passar na frente, e por aí vaaaaii.
Cansada de muitas e muitas coisas... Busco na física quântica o amparo para que a minha esperança não se esmoreça diante das mazelas caóticas. A partir do caos, do poço, que sequer se enxerga o fundo, pois se cava cada vez mais; nossa pátria pode se realinhar em meio às atitudes aparentemente desastrosas. Remexidas as águas, o lodo sobe, e é bom que suba, e que na transparência das águas se dilua. Mesmo que aconteça no espaço de gerações.
O povo foi às ruas pelo A e pelo B, com cores diferentes, cada um com a sua verdade. Não se iludam! Também sairá pelo C. O cansaço deve provocar reação e não conformismo. Enquanto escrevo penso na frase de John F. Kennedy “Não pergunte o que seu país pode fazer por você. Pergunte o que você pode fazer pelo seu país”.
Reflexão oportuna e também a minha. O que faço pelo meu país? Brasil, quero vê-lo como uma Fênix, voando após cantar o seu canto da morte.