| Fotos: Malavolta Jr. |
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| Nilton César Cardoso em frente do empório Ribeirão Bonito, na zona rural de Arealva, é um local onde tem uma capela e é muito frequentado por donos de sítios e ranchos residentes nas imediações |
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| Capela São João Batista é onde no mês de junho tem uma quermesse famosa com leitoa assada no forno a lenha |
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| Galeria de troféus conquistados pela equipe de Ribeirão Bonito |
Uma capela, uma placa de indicação e muita poeira. Árvores com folhas cobertas de areia demonstram que a via de acesso não é impermeabilizada. Essa é a primeira impressão que se tem do bairro Ribeirão Bonito em Arealva. Um local bucólico e cheio de histórias que passam de pai para filho. Os antigos sítios produtivos estão tomados de cana. Muitos sitiantes arrendaram as terras para as usinas. Ao mesmo tempo, o Rio Tietê corre silencioso pelo bairro e é o atrativo, desde sempre.
Uma vendinha, como diriam os antigos, construída em 1960 por Francisco Jacinto Cardoso abriga o tradicional Bar do Cardoso. Conhecido por todos os pescadores, jogadores de futebol amador e dos turistas que gostam de fazer o turismo rural, ele oferece além da tradicional coxinha de massa de mandioca, mercadorias nada tradicionais como fumo de corda, palha, vara de pescar e ovo caipira. O bar que pertence a Nilton César Cardoso, 47 anos, desde 94 é um misto de bar e secos e molhados e atende as necessidades daqueles que curtem uma vida simples. “Os clientes mais frequentes são o pessoal que frequenta os ranchos. Aqui temos o recanto Eldorado e o Jardim Colonial que abrigam inúmeros deles.”
Mas é nos finais de semana, feriados e na festa de São João que a clientela triplica. “Os turistas aparecem nos feriados para pescar. Tem algumas pessoas que moram nas propriedades rurais da região, cerca de 100 pessoas. Fazemos parte do turismo rural e no sítio de meu pai temos uma lanchonete que tem comida caseira, feita no fogão a lenha. A refeição é servida por agendamento.”
Cardoso explica que durante muitos anos, o bar foi arrendado. “Era um sítio de 33 alqueires. Mudou várias vezes de dono. Em 2001, eu comprei o ponto comercial do meu avô Francisco Cardoso após sua morte.”
Na época que o bar foi inaugurado, era muito diferente. “Se vendia, arroz, feijão, salgado, bebida, não tinha freezer para gelar bebidas. Elas eram geladas na areia com água. Colocava uma vazia de areia e jogava água. Dentro dela, iam as garrafas. Hoje, temos vários freezers. Continuo vendendo de tudo.”
Contradição
O comércio apresenta uma contradição. Ao mesmo tempo que se mantém como secos e molhados, como antigamente, tem wi-fi para os clientes mais antenados. “Recebemos muitos turistas que precisam usar o wi-fi. Em junho tem a festa de São João Batista aqui na capela de mesmo nome. A quermesse é famosa, tem leitoa assada no forno a lenha, frango recheado com farofa.”
Os moradores de Arealva e das propriedades rurais das imediações também usam a capela para casamentos, comenta Cardoso. “Por aqui tem muitos sítios pequenos de seis alqueires. Tem muitos jovens que a família mora por aqui e eles foram embora estudar. Então quando vão casar, realizam a cerimônia na capela. É um lugar bucólico.”
‘Benzedô’ de cobra
Os benzedores eram comuns há 50 anos atrás. Mulheres benziam crianças e adultos e algumas até receitavam remédios a partir de plantas. Os benzedores de cobra também atuavam nessa época, lembra Antonio Cardoso. Um dos causos que perpetua até hoje no bar que é em determinada época um frequentador viu se em apuros com o réptil.
“Contasse que uma pessoa estava sentada aqui no bar e que uma cobra veio no pé dele. Porque um benzedô de cobras teria mandado o réptil para cá. Diziam que o benzedô dominava as cobras e as mandava para onde queria.”
Esporte Clube Ribeirão Bonito tem galeria de troféus no bar
Nilton Cardoso é dirigente do time e em seu bar há uma coleção de troféus e medalhas que mostram as vitórias do time. “Aqui participamos dos jogos do amador, campeonatos regionais, salão e society. Durante 15 anos, todos os domingos tivemos jogos de aspirantes contra titulares. Não falhamos um só domingo. De 2006 para cá na cidade de Arealva ganhamos todos os jogos que tiveram”, conta com orgulho. No bairro tem ainda um campo de bocha que abriga vários campeonatos durante o ano.
De tudo
“Quem não bebe não vê o mundo girar”, diz um cartaz na entrada do bar Nilton César Cardoso. As bebidas, pinga e cerveja são os produtos mais vendidos. O bar vende ainda gengibre, ovo caipira, arroz, feijão, macarrão, óleo, farinha de trigo, sal, cadeado, lanterna, mel, pilha, cachaça da cidade de Arealva, fumo de corda, fumo cortado, papel para cigarro, palha, vara de pescar, ração para pesca, salsicha no vinagrete, dorflex, anzóis, chumbadas, boias, salgados dentre outros.


