| Malavolta Jr. |
![]() |
| O Noroeste significa muito para mim. Não só na questão profissional, na pessoal também. Vir a Bauru mudou a história da minha família |
Foram 13 clubes, acessos, títulos e uma identificação especial com o Noroeste em uma trajetória que começou na lateral esquerda e migrou para o meio-campo ao longo de 19 anos de carreira, que se encerram agora. Marcelo Santos anuncia, aos 36 anos, a aposentadoria dos gramados como atleta profissional. Nos planos, a convivência mais próxima com a família - esposa Danusa e os filhos Bruno, que segue seus passos e joga no sub-17 do Novorizontino, e Eduardo - sem a rotina de treinos, concentração e jogos. Em curto prazo, tornar-se técnico. Não sem antes se preparar para exercer a função fora das quatro linhas.
Natural de Guarulhos, Marcelo Santos começou a jogar futebol em São Paulo, na Portuguesa. Iniciou, aliás, jogando futsal. Porém, logo migrou para o gramado, nas categorias de base da Lusa de onde foi alçado ao profissional. Disputou Campeonatos Brasileiros da Série A e B, defendeu times de vários estados brasileiros e jogou nas quatro categorias profissionais de São Paulo. Em 2005, veio para o Noroeste, clube que mudou sua vida e com o qual tem uma estreita ligação. Não por acaso, escolheu o Norusca para encerrar sua carreira e pendurar as chuteiras. Em conversa com o JC, Marcelo Santos falou sobre a carreira, a ligação com o Alvirrubro e os planos para o futuro. Confira a entrevista abaixo:
JC - Como está sendo a transição de atleta profissional para aposentado?
Marcelo Santos – Difícil. A gente está acostumado com uma rotina e neste momento todos estão aguardando uma situação da arrumar time e que comigo isso não vai acontecer. Mas a minha expectativa é realmente buscar uma situação de dar continuidade fora do campo. Quero continuar trabalhando no futebol.
JC - Você teve uma experiência como técnico no Noroeste. A intenção é seguir por este rumo?
Marcelo Santos – Na questão de ser técnico, que é um desejo meu, falta ainda muita coisa. Quero fazer alguns cursos, estudar um pouco mais, talvez fazer um estágio em algum lugar, para daqui uns dois anos tentar uma situação como treinador profissional, porque eu gostaria de começar já no nível profissional. A experiência que tive no ano passado me deu confiança em exercer aquilo que eu sempre pensei.
JC - Por quais clubes passou na carreira?
Marcelo Santos – Comecei na Portuguesa. Em 2000 e 2001, fui emprestado para o Internacional-RS e voltei para a Portuguesa, onde fiquei até o meio de 2002. Joguei no Sampaio Corrêa-MA a Série B do Campeonato Brasileiro. Em 2003, joguei pelo Ceará também a Série do Brasileiro. Em 2004, fui para o Oeste de Itápolis, onde disputei o Campeonato Paulista. Depois, o segundo semestre do mesmo ano no futebol português no Grupo Desportivo de Chaves. Em 2005, vim para o Noroeste. Fiquei aqui até 2009, mas o primeiro semestre de 2007 fui para o Mirassol, onde subimos da Série A2 para a A1. Saí do Noroeste em 2009 e fui para o Linense. Em 2012, joguei no São José. Em 2013, defendi o Cruzeiro-RS durante todo o ano. Em 2014, estive no Catanduvense e Comercial, de Ribeirão Preto. E voltei para o Noroeste em 2015.
JC – Nesta trajetória quais momentos foram mais marcantes para você?
Marcelo Santos – Eu ter jogado na Série A do Campeonato Brasileiro foi o auge. Joguei pela Portuguesa e Internacional-RS. Disputar Grenal foi uma conquista pessoal, participar de um clássico tão importante no futebol brasileiro. Outra marca que tenho que considero importante é que fui jogador do Zagallo. Ele foi meu treinador na Portuguesa, em 1999. Ele é uma referência no futebol mundial e tive a experiência de ser dirigido por ele, um cara lendário.
JC – E de Noroeste, o que você pode dizer?
Marcelo Santos – O Noroeste significa muito para mim. Não só na questão profissional, na pessoal também. A minha vinda para Bauru mudou a história da minha família. Meu segundo filho é bauruense, nasceu aqui. As conquistas que tive aqui e as amizades que fiz... Meus melhores amigos do futebol fiz aqui. Mas as conquistas contribuíram muito para a minha permanência também. No primeiro ano que cheguei conseguimos o acesso (da Série A2 para a A1) e fomos campeões da Copa Paulista. Em 2006, tivemos melhor campanha do clube em toda a história no Paulistão (quarto lugar). É ficar marcado no clube pelas conquistas coletivas. E tenho a minha individual. Mesmo tendo começado na Portuguesa, não cheguei a fazer tantos jogos no profissional lá quanto fiz aqui. Encerrei com 158 jogos pelo Noroeste. Sou o quinto ou sexto jogador que mais jogou pelo clube. Isso é significativo e me sinto privilegiado.
JC – O reflexo disso é a identificação que existe com o clube e torcida. Você atribui isso às conquistas, ao tempo de clube, à postura em campo?
Marcelo Santos – Ao profissionalismo. Se tem uma coisa que sempre prezei é ser profissional. Nunca fui um jogador que fazia a diferença individualmente. Mas minha regularidade e a conduta de sempre fazer tudo com muito respeito ao clube e exercer minha profissão com dignidade criou esse vínculo. E ter vindo jogar na quarta divisão aqui no ano passado aumentou a relação com o torcedor. Porque é muito fácil o cara vir jogar aqui na Série A1, onde todo mundo ganhava bem, tinha estrutura e um patrocinador grande. Mas no ano passado não. O clube estava no fundo do poço, na última divisão. E não vim aqui encerrar carreira, vim para conquistar. E conquistamos o acesso e a permanência deste ano, que talvez renovem o ânimo do clube para os próximos anos. Torço para que o Noroeste volta à primeira divisão, de onde nunca deveria ter saído.
JC - Você tem um filho que joga futebol. A partir de agora, volta sua atenção totalmente para acompanhar a carreira do seu sucessor?
Marcelo Santos – Vou me envolver muito mais na questão de acompanhar os jogos e assessorar fora de campo. Fiz minha carreira sozinho, nunca tive empresário. Quero que ele tenha este tipo de assessoria que eu não tive para que ele se preocupe exclusivamente em jogar.
JC – Com toda a vivência que você tem de futebol, qual a análise que faz do atual momento para os times do Interior e o que precisaria mudar para melhorar?
Marcelo Santos – Existe um contraste muito grande no futebol de São Paulo hoje. Você acompanha as cotas que os times grandes têm e o apoio que a Federação Paulista dá para os times na quarta divisão. Existe uma diferença muito grande de valores. Deveria haver atenção maior para as divisões menores. Sei que os clubes estão endividados e talvez não consigam parceiros melhores, mas a federação deveria ajudar mais os times da A3 e até da Bezinha. Na Série A1 os clubes conseguem andar com a próprias pernas. Vou citar o Linense, o Novorizontino, onde meu filho está e que é uma potência hoje no Interior. Meu filho tem uma estrutura que talvez o Noroeste não tenha aqui para os profissionais. Quarto com ar condicionado, alimentação adequada, plano de saúde... tudo o que aqui o Noroeste não tem para os profissionais ele tem lá na base. O futebol do Interior caminha a passos para ter um final muito triste. Não sei se esta é a intenção da federação, mas vai encher a Bezinha de times tradicionais, sem recursos, e vai acabar acontecendo o que aconteceu com União São João (acabou) e o próprio XV de Jaú, que se afastou no ano passado. A saída seria formar jogadores. Só que sem condições de dar alimentação adequada, trabalho adequado, não vai formar ninguém. É triste, mas é a realidade. A gente espera que isso mude para que o Interior volte a ser forte para gerar emprego aos jogadores.
.jpg)