| Fotos: Arquivo pessoal |
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| Leo viaja o mundo em competições e leva junto o amor por Bauru eternizado numa tatuagem de monumento da Praça da Paz |
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| Leo começou a andar de skate em Bauru aos 10 anos e é profissional da modalidade street há dez anos |
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| “Nunca esqueça as suas raízes” é o que simboliza a tatuagem da Praça da Paz no corpo de Leo |
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Leonardo Giacon, conhecido como Leo Giacon, tem 30 anos e anda de skate há pelo menos 20 deles. Tudo começou em Bauru, aos 10 anos de idade, na Praça da Paz. Por aqui ele nasceu e se criou, mas vive em São Paulo há 8 anos.
“Eu fui embora da cidade por causa do skate mesmo. Independentemente de ter ou não pistas, em Bauru não tem mercado para a gente”. Ele é um dos idealizadores do projeto da pista de skate construída às margens do Aeroclube.
Skatista profissional da modalidade street há dez anos, Leo é patrocinado por grandes marcas do segmento. Sua carreira é repleta de participações em eventos e campeonatos nacionais e internacionais, entre eles o Tampa Pro, maior competição da categoria, realizado na cidade de Tampa, nos Estados Unidos.
Sua novidade está agora no empreendedorismo, jornada iniciada com um sócio há pouco mais de um ano com uma marca própria voltada para o skate. O entrevistado de hoje já rodou o mundo com o esporte. E promete rodar ainda mais.
Embora seja um “cidadão do mundo”, Leo leva Bauru consigo. Prova é a tatuagem que fez recentemente na região das costelas: a Praça da Paz, um dos monumentos bauruenses. Leia mais, a seguir.
Jornal da Cidade – Você descobriu o skate nas ruas de Bauru?
Leonardo Giacon – Exatamente, quando eu ainda era um menino. Eu tinha de 10 para 11 anos e iria ganhar uma bicicleta dos meus pais. Mas eu disse que queria um skate, isso sem ter visto ou sem ao menos conhecer alguém que praticasse o esporte. Foi algo que veio de mim mesmo. Meus pais não queriam. Na época o skate não era muito bem visto. Mas minha mãe cedeu e disse que eu não ficaria nem um mês com ele. E lá se vão uns 20 anos (risos).
JC – Você foi um dos idealizadores da pista de skate de Bauru?
Leo – Sim, mas estávamos na “briga” desde o final da década de 1990. O projeto da pista de skate localizada às margens do Aeroclube da cidade foi desenvolvido em conjunto por mim, meu irmão, o engenheiro Eduardo Giacon, e o arquiteto Rômulo Milanesi e aprovado pela equipe da prefeitura de Bauru. O desenho era um pouco maior e foi adaptado, mas o importante é que a pista tem qualidade.
JC – O skate o levou de Bauru?
Leo – Eu fui embora da cidade por causa do skate mesmo. Independentemente de ter ou não pistas, em Bauru não tem mercado para a gente. As marcas patrocinadoras e as mídias estão todas nas grandes cidades. Se bem que hoje em dia é mais fácil do cara mostrar o seu skate por causa da avalanche de mídias digitais. Eu vim para São Paulo, mas eu vivo no mundão. Estou sempre viajando de um país para outro, andando de skate, participando de eventos, fazendo fotos, filmando e fazendo matérias para revistas e TVs.
JC – Sobre competições nacionais e internacionais.
Leo – Já participei de muitas. Sempre que tem eu corro o ranking inteiro da Confederação Brasileira, com etapas por todo o Brasil. Todo mês de dezembro eu participo do Matriz, em Porto Alegre. Também do Drop Dead, em Curitiba. Sobre os internacionais, acabei de voltar de um realizado na Flórida, o Tampa Pro, o mais importante da categoria. Agora vou passar uma temporada na Europa rodando pelos campeonatos de Paris, Copenhague e Praga. Depois vou para África do Sul e Montreal. Mas estes dois últimos ainda não estão confirmados, vai depender da economia do País e dos patrocinadores.
JC – Conseguir patrocínio é uma tarefa árdua na sua modalidade esportiva?
Leo – Meus primeiros patrocinadores eu consegui ainda em Bauru com duas lojas. E com essas marcas eu fui conquistando outros patrocinadores em São Paulo. O skate já não é renegado no Brasil. O esporte já sofreu muito preconceito, mas, embora já não seja assim, o nosso mercado ainda está muito atrasado em relação ao mercado americano, exatamente por conta desse preconceito vivido até há alguns anos. E, mesmo assim, o Brasil é a segunda maior potência do skate, falando em marcas próprias e tudo mais. Já batemos de frente com a Europa e temos nosso mercado à parte com produtos nacionais e específicos.
JC – Agora você também é empresário do ramo, certo?
Leo – Abrimos nossa empresa há pouco mais de um ano. Chama-se Hábito Skateboard, voltada principalmente para o shape, que será o carro-chefe da nossa empresa. Também já temos camisetas. Inclusive estou pensando em fazer uma faculdade voltada para esse meu novo lado, o empresarial. Há pouco tempo eu ganhei um campeonato que me deu uma faculdade, então talvez eu faça marketing ou outra coisa voltada para o comercial.
JC – Você vem a Bauru com frequência?
Leo – Quase toda a minha família vive em Bauru, com exceção da minha mãe e de uma tia que se mudaram para o Guarujá. Também tenho muitos amigos na cidade. Então, sempre que posso, eu estou por aí. Mas eu carrego Bauru no corpo. Eu fiz uma tatuagem da Praça da Paz nas costelas, que significa “nunca esqueça as suas raízes”. Foi nessa praça que eu comecei a andar de skate.
JC – Como é a sua rotina sobre o shape?
Leo – Isso varia de época para época. Em alguns momentos eu me vejo voltado para fazer programas para TV, revistas... Em outras épocas eu me volto para os campeonatos. Eu participo de especiais sobre skate em canais como o “Canal Off”. No ano passado, por exemplo, fiz três especiais do programa “Pela Rua” e do “Skate no Quintal”, só para citar alguns. Na verdade, eu me dedico muito a andar de skate na rua, acho bem mais livre. A gente marca trips pelo mundo e sempre vai um fotógrafo, um videomaker... e gravamos um programa. Fizemos isso não há muito tempo no Uruguai, por exemplo, onde fomos de carro. Há um pouco de entrevista e muito de life style do skate.
JC – O que você gostaria de realizar em um futuro próximo?
Leo – Olha, o meu objetivo de vida é andar de skate no maior número possível de lugares do mundo e provar que o esporte está muito além de São Paulo, Los Angeles, Barcelona e outras potencias do skate. Já andei por diversos lugares exóticos e estou pensando em ir para a Amazônia desbravar a região.
Perfil
Leonardo Giacon
Tem 30 anos e é libriano
Nasceu em Bauru e vive em São Paulo há 8 anos
MPB e reggae são seus estilos musicais prediletos
Sobre leitura, obras de Dan Brown e Stieg Larsson estão entre as suas preferidas
Nota 10: Para o life style do skate no Brasil, porque tudo inspira liberdade nesse estilo de vida
Nota 0: Para a política no Brasil, independente de partido
E-mail: lgiacon@hotmail.com







