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MPB, de Brasília

João Pedro Feza
| Tempo de leitura: 2 min


Na ordem do dia, Brasília também já esteve muito na pauta dos compositores. Canções de protesto predominam, mas não apenas elas. Uma das músicas mais contundentes é, sem dúvida, “Que País é Este?”. Composta em 1978 pelo carioca-brasiliense Renato Russo, só seria gravada pela Legião Urbana em seu terceiro disco, de 1987.

Com introdução e base copiadas de “I Don’t Care’ (1977), do grupo punk norte-americano Ramones, a canção estourou. “Nas favelas / No Senado / Sujeira pra todo lado / Ninguém respeita a Constituição / Mas todos acreditam no futuro da nação”.

(Interessante observar que, hoje, forças opostas se acusam justamente de desrespeito à Constituição. E a sujeira continua por todos os lados).

Sete anos antes, Brasília dava nome a uma música do paulistano Guilherme Arantes. A “Brasília” de Guilherme, lançada em 1980 em seu quinto álbum, também tinha tom crítico: “Tuas cidades satélites / Mostram o quanto és uma aberração / Vivem à margem da tua luxúria onde corre / O poder da nação”.

Foi lá também o berço do grupo Plebe Rude. Que, assim como Guilherme, batizou uma música apenas como “Brasília”. “Capital da esperança (Brasília tem luz, Brasília tem carros) / Asas e eixos do Brasil (Brasília tem mortes, tem até baratas)”. Está lá no primeiro álbum “plebeu”, “O Concreto já Rachou”, de 1985.

Menos rude foi o pernambucano Alceu Valença com “Te Amo Brasília”, de seu álbum “Andar, Andar” (2003). Seria essa Brasília uma mulher? Dizem que sim.

Ainda temos a capital musicada pelo grupo brasiliense Liga Tripa (“Qual, Brasília?”); pelo guitarrista mineiro Toninho Horta (“Céu de Brasília)”; pelo capixaba Sérgio Sampaio (“Brasília”).  

Mas, pensando bem, a de Alceu é a mais apropriada para o momento. Gente de bem que ainda resiste por lá (não a “rataiada” que tanto vemos daqui) tem todo o direito, se quiser, de fazer as malas e adotar o verso final. “Se teu amor foi hipocrisia / Adeus Brasília/ Vou pra outra cidade”.

O autor é editor executivo do JC

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