| Douglas Reis |
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| Com cartazes, pacientes e pais protestaram em frente ao DRS-6 e esperam uma solução |
Dependentes de medicamentos para o controle do diabetes, cerca de dez pacientes protestaram nessa segunda-feira (18) de manhã em frente ao prédio do Departamento Regional de Saúde de Bauru (DRS-6), em Bauru. Motivo: falta de insulina. Mesmo com direito garantido na Justiça, os manifestantes alegam que, desde janeiro, não conseguem retirar o hormônio responsável pela redução da glicemia (taxa de glicose no sangue).
O problema não é novo na cidade. Em um período de apenas quatro meses (entre outubro de 2015 e fevereiro deste ano), o JC noticiou duas vezes o drama de pessoas que buscam por insulina em posto do DRS-6, sem sucesso.
É o caso de Juliana de Brito Piagente, 21 anos, que sofre de diabetes tipo 1 (quando há perda total da capacidade do pâncreas produzir insulina). Ela recebe insulinas Glargina e Humalog da Secretaria Estadual de Saúde, por meio da Coordenação de Demandas Estratégicas do Sistema Único de Saúde (Codes), pois a medicação custa em torno de R$ 2 mil mensais.
“Estou conseguindo os refis através de doações, porque não tenho condições de comprar”, conta a jovem, acrescentando que, nesta segunda, retirou apenas metade do medicamento. “Tem muita informação desencontrada. Para uns, falam que não tem. Para outros, dizem que o governo comprou, mas ainda não fez o repasse. É um descaso. Me sinto desrespeitada”.
A balconista Mirele Alvares, 39 anos, compartilha do mesmo sentimento de indignação. O filho dela, Murilo Alvares de Carvalho, tem apenas 11 anos de idade e já convive com o descaso da saúde pública.
“É a vida de uma criança que está em jogo”, desabafou Mirele, enquanto exibia ação judicial que garante as insulinas Glargina e Humalog ao filho. “A gente se vira como pode. Em fevereiro, precisei gastar dinheiro que não tinha para comprar um refil”.
‘Se ficar sem...’
Também com 11 anos, Gabriela Fabri Ribas depende da insulina Glargina para controlar a diabetes. “Se ficar sem, ela morre”, disse a mãe Ester Fabri, 37 anos. Desempregada, a mulher não sabe mais a quem recorrer para manter o tratamento da filha em dia. “Não sabemos mais o que fazer”.
Pai de Gabriela, José Adriano Ribas critica ainda o atendimento no posto do DRS-6. “Alguns são mal educados. Chega a ser desumano”, aponta.
Pontual?
Em nota, o Departamento Regional de Saúde (DRS) de Bauru esclarece que os pacientes Murilo Álvares de Carvalho e Gabriela Fabri Ribas retiraram a insulina Humalog nos últimos dias 11 e 7 de março, respectivamente.
Em relação à insulina Glargina, “esclarecemos que, devido a um aumento inesperado de demanda, foi registrado o desabastecimento pontual e temporário do medicamento citado. A compra já foi realizada e o DRS cobrou o fornecedor para que realize a entrega com urgência”.
O órgão diz ainda que realizou um remanejamento para atender os pacientes e eles podem retirar o medicamento já nessa terça.
Em relação ao caso da paciente Juliana de Brito Piagente, o DRS diz que ela recebeu ontem a totalidade da insulina Humalog pela qual tem direito. Em relação à insulina Glagirna, “ela retirou três unidades”, acrescenta a nota.
