Tribuna do Leitor

Planeta terra, nossa casa comum

Antonio Cícero de Oliveira
| Tempo de leitura: 3 min

Dia da Terra, 22 de Abril, data criada no início da década de 1970, é um dia para reconhecer a importância do planeta e refletir como podemos fazer para cuidar dele melhor. Estamos no início do outono, quente como se fosse verão. Uma pergunta pertinente e atual: o que esta acontecendo com o clima aqui e no mundo?


Nossos últimos verões deixaram marcas, um, seco demais, e outro, úmido demais. Em 2016, nossa região foi chuvosa, precipitações que ultrapassaram volumes esperados para o período, um aguaçeiro. Transbordamento de rios como nunca visto antes, pontes quebradas, estradas interditadas, deslizamentos, lavouras perdidas, casas inundadas, prejuízos econômico, perda de vidas humanas.


Foram volumosas aqui e acolá, irrigou mananciais de águas superficiais e subterrâneas, precipitações que foram influenciadas pelo fenômeno oceânico EL Niño. Os intensos temporais vieram para aliviar a secura do verão 2014/2015, que teve chuvas bem abaixo da média, e, para piorar, uma estiagem prolongada e fora de época aconteceu antes do verão. Bloqueio atmosférico impediu a formação de nuvens de chuvas, entradas de frentes frias. Rios secaram, abastecimento de água comprometido, calorão bem acima da média, sendo o ano 2014 o mais quente registrado no planeta. Estamos fragilizando o clima com nossas atividades humana?


Estamos urbanizados e populosos demais. Urbanização que vem crescendo desde o século XVIII com o início da revolução industrial, intensificado no século XX, onde a população mundial quadruplicou. Lançamos na atmosfera toneladas e mais toneladas de gazes do efeito estufa, dióxido de carbono, óxido nitroso, gás metano etc, resultado da queima de combustível fóssil de veículos automotores, carvão para gerar energia, parques industriais e grandes reservatórios para produção de eletricidade.

      

Tornamos uma civilização de consumo baseada na lei de mercado, extraimos do ventro da terra, recursos naturais mais que sua capacidade possa oferecer, sobretudo a água. Estamos devorando o planeta com nosso desenvolvimento e padrão de vida. Derrubamos florestas, desmatamos biomas, poluimos ar de cidades, contaminamos solo, águas de rios, lagos e mares, comprometendo a biodiversidade com sua enorme capacidade de trocar carbono por oxigênio, biodiversidade que contribui para o equilíbrio da composição da atmosfera, que dela depende a temperatura de todo o planeta, a instabilidade dos ventos, a formação das nuvens, o movimento dos oceanos, de neves nas partes mais altas, de tempo de chuvas e tempo seco.


As atuais emissões de gases estão bem acima dos índice suportáveis sendo assunto discutido desde a Conferência sobre o Clima em Montreal, depois em Quioto no Japão em 1997, que determinou às nações mais desenvolvidas e industrializadas o controle e a redução das emissões que contribuem para o aumento da temperatura do planeta, aquecimento que altera os padrões climáticos, onde fortes tempestades, furacões, enchentes mais intensas, nevascas, secas amplas e prolongadas podem ser mais frequentes. Que planeta estamos legando para futuras gerações?


‘Nossa casa comum, nossa responsabilidade’ foi o tema da Campanha da Fraternidade Ecumênica 2016, elaborada pela CNBB e Igrejas do CONIC, dirigida a todas as pessoas de boa vontade para que contribuam com suas capacidades para a promoção da convivência da justiça, da paz e do cuidado da criação e lançou um convite a ecoar em todo o mundo: uma luta profética para construir uma casa justa, sustentável, habitável para todos os seres vivos. Vale lembrar também Francisco de Assis, século XII, que exaltava o criador: “Louvado seja meu Senhor pela nossa irmã e mãe terra”. O Senhor tomou o Homem e colocou no Jardim do Édem para cultivar e o guardar.” (GN 2, 15)

Comentários

Comentários