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Um novo golpe chega a Bauru. Familiares de pacientes internados em hospitais da cidade foram alvo de tentativa de estelionato nos últimos dias. Os golpistas ligam para as famílias e pedem dinheiro para custeio do tratamento ou para agilizar os processos. Tanto instituições públicas quanto privadas estão sendo visadas por esses criminosos. Trata-se de um estelionato, já conhecido pela polícia e que tem sido aplicado em hospitais de outras regiões do País.
Nesse sábado (23), a Famesp lançou uma nota informando que familiares de pessoas internadas no Hospital Estadual de Bauru (HEB) estão recebendo ligações em nome da instituição para efetuarem depósitos bancários a fim de custear o tratamento desses pacientes. “Informamos que em nenhum momento o HEB fez esse tipo de ligação”, destaca.
Ainda em nota, o hospital afirma que o serviço social está entrando em contato com os familiares dos pacientes internados para orientar que esse tipo de contato não é procedimento da instituição e pode se tratar de um golpe. “Se alguém recebeu essa ligação em nome do hospital e efetuou depósito bancário procure uma delegacia para registrar boletim de ocorrência (BO)”.
Outros quatro pacientes internados na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) da Unimed de Bauru também foram contatados pelos criminosos. Os casos foram relatados pelo próprio hospital em BO registrado na Polícia Civil, na semana passada, mas teriam acontecido no dia 13 de abril.
Das quatro pessoas que receberam os telefonemas, apenas uma teria registrado o caso na polícia. O hospital não informou, contudo, se alguma das vítimas chegou a cair na armadilha e depositar os valores. Por meio de nota, a Unimed Bauru lamentou que estelionatários tenham se aproveitado do momento de fragilidade vivido por familiares de pacientes para aplicar golpes.
Assim como o HEB, a instituição particular diz que tem orientado pacientes e familiares a não realizarem qualquer depósito ou pagamento quando acionado por telefone antes de procurar o hospital para informações.
O hospital completa ainda que alerta pacientes e familiares, no momento da internação, sobre os procedimentos da unidade e orienta a não realizar pagamentos a terceiros.
“Eventuais pagamentos ao Hospital Unimed Bauru são realizados somente no Setor Financeiro do Hospital ou por meio de quitação de boleto bancário emitido pelo hospital sendo que, jamais, os pagamentos são realizados por meio de depósito bancário”, diz a unidade, em nota.
O hospital afirma ainda que não se responsabiliza por qualquer pagamento efetuado em contas particulares de terceiros.
R$ 5,8 mil
Um dos casos registrados foi de uma psicóloga de 53 anos, que estava com seu pai internado e relata ter recebido a ligação de uma pessoa que se passou por um médico e lhe pediu depósito no valor de R$ 5.850,00. O golpista teria dito que o valor seria para agilizar o resultado de uma tomografia e da aplicação de uma medicação para tratar de uma doença que poderia evoluir para leucemia e dificultar a recuperação de seu pai.
Ele ainda teria informado à mulher que a quantia seria posteriormente ressarcida pelo hospital, bastando que, para isso, ela levasse à instituição alguns documentos pessoais, comprovante de residência, o cartão do convênio de seu genitor e a cópia do comprovante de depósito.
A vítima desconfiou e, após atestar a farsa junto ao hospital e ao médico plantonista que teve o nome citado, foi até a polícia registrar o ocorrido.
Na manhã desse sábado (23), uma aposentada de 68 anos, que está com a irmã internada na UTI da Beneficência Portuguesa, também recebeu ligação com um pedido de depósito de R$ 1,5 mil. Ela foi alertada pelo hospital, não fez o depósito e registrou o BO.
Investigações apuram ‘informações privilegiadas’
Responsável pela apuração de parte desses casos, o delegado Carlos Crepe Júnior aponta duas principais linhas de investigação. A primeira é da possibilidade de que o estelionato seja praticado por ou com a ajuda de funcionários. A segunda hipótese aventada trata de um crime cibernético, ou seja, em que os golpistas consigam invadir o programa de dados dos hospitais. Ele não descarta que uma quadrilha esteja agindo em Bauru.
“É um crime em que o golpista se aproveita do momento de fragilidade da família que, para ver o ente querido bem, acaba cedendo”, comenta Carlos Crepe, titular do 2.º Distrito Policial da Central de Polícia Judiciária (CPJ).
A Polícia Civil também orienta que as pessoas evitem repassar informações para desconhecidos, desconfiem de qualquer ligação e sempre chequem as informações no hospital. “Em caso de desconfiança de golpe, a Polícia Civil deve ser comunicada”, aponta Crepe.
Golpe conhecido no País
Segundo o JC apurou, essa modalidade de estelionato não é restrita a Bauru, muito menos ao Estado de São Paulo. Casos do “golpe do paciente da UTI” foram registrados em várias regiões do Brasil, como Fortaleza (CE) e em Três Lagoas (MS).
Em nota, o próprio Hospital da Unimed Bauru reforçou que o crime em questão tem se tornado cada vez mais comum em hospitais de todo o País e que isso gerou mobilização das unidades no intuito de manter seus pacientes informados sobre procedimentos.
“Na verdade, não é um crime novo. No ano passado tivemos um caso parecido em Bauru, mas não envolvia UTI”, acrescenta o delegado Carlos Crepe.
O famoso ‘171’
Em seu artigo 171, o Código Penal Brasileiro prevê prisão de um a seis anos para quem “obter, para si ou para outrem, vantagem ilícita, em prejuízo alheio, induzindo ou mantendo alguém em erro, mediante artifício, ardil, ou qualquer outro meio fraudulento”.
Serviço
Se receber ligação semelhante, entre em contato com o hospital antes de qualquer depósito. Vítimas do golpe, seja tentado ou não, devem comunicar a Central de Polícia Judiciária (CPJ) de Bauru por meio do (14) 3235-6500.
