Tribuna do Leitor

'Tá faltando chover'

Eli Elias Alves - O autor é licenciado em filosofia
| Tempo de leitura: 2 min

O calor constante está me incomodando muito (penso não ser o único da cidade a se sentir desconfortado). Tive a curiosidade de buscar no Google a medição de temperatura ao escrever esse texto e a resposta que obtive é de 32°C, com umidade de 38%. Conversando com as pessoas que me cercam, vejo que há uma falsa impressão do senso comum de que os governos nada podem fazer no sentido de enfrentamento desse problema, o que não é, absolutamente, verdadeiro. Por causa deste tabu, estou aqui a discorrer sobre o tema:


Bom, descobri o que irei lhes contar em 2008, na ocasião assistia na tv a um jogo de futebol da seleção brasileira nos Jogos Olímpicos de Pequim e o narrador da Globo mencionou que haviam feito “bombardeamento de nuvens” para fazer chover e com isso controlar a sensação de poluição. Por consequência, isso amenizaria o incômodo dos atletas que ali competiam. O fato é que tal tecnologia existe há mais de 50 anos, e não é divulgada nem tão utilizada “nas bandas de cá” do Terceiro Mundo.


Isso porque para alguns existem cientistas que seriam comprados pelos governos para dizer que a tal técnica causa efeitos indesejáveis tornando-a discutível, controversa e deslembrada. Principalmente quando se utiliza para isso o iodeto de prata. Todavia, esse composto não é, definitivamente, o único que pode ser usado para “fazer chover”. O processo trata de “semear” aglutinantes que provocariam a fusão de hidrogênio e oxigênio causando gotículas, em consequência surgindo precipitações na área bombardeada. Interessante que nesse processo nem se faz necessária a presença de nuvens na atmosfera. Entres os aglutinadores, além do iodeto, pode-se usar como substância causadora do fenômeno: gás carbônico congelado, agua potável e, a que é mais utilizada, o cloreto de sódio. É isso mesmo! Nosso popular sal de cozinha!


Parece mentira, mas a Sabesp já estuda utilizar o bombardeamento de água potável na atmosfera para fazer chover no Sistema Cantareira se as coisas continuarem feias por lá. O que não é novidade no Brasil, pois na década de 50 já foi tentado resolver o problema da seca no semiárido nordestino desta forma, porém, faltou vontade política para dar continuidade. Além disso, e poucos sabem, no ano de 2012, a Bahia, especificamente na região de Itaberaba, obteve uma experiência dessa natureza.


Isso porque por única e exclusivamente “pressão” dos produtores de abacaxi, essa técnica salvou toda sua produção, livrando-os da histórica seca daquele ano. Mas, como aqui é Brasil, tudo ficou caro demais aos cofres públicos, cerca de R$ 200 mil reais (nunca vi, água potável, sal ou gelo seco custar tanto).


Por tudo isso, quando escuto alguém dizer “tá faltando chover”, sempre me dá vontade de refutar em alto e bom som: Tá faltando o povo acordar”. Aliás, no Brasil falta muita coisa: falta vontade política, vontade de compreender os outros, vontade de ser menos egocêntrico, vontade de fazer chover etc...

Comentários

Comentários