Tribuna do Leitor

Cálculo incerto

Rafael de Paula - Estudante do último ano de Jornalismo na Unesp e resident
| Tempo de leitura: 1 min

Francamente, não entendo a Unesp de Bauru. Considerada celeiro de excelência, em especial nas áreas de engenharia, cursos “nobres” do leque universitário nacional, parece que seus caciques tornam-se crianças em fase de alfabetização matemática quando o assunto não lhes convém. Qualquer estudante de ensino médio conseguiria notar que uma moradia estudantil com 32 vagas, em um câmpus de 6.000 alunos (o maior entre as Unesps), é muito mais que insuficiente. No entanto, nos cálculos absurdos de quem detêm a caneta, dá e sobra. Tanto é verdade que quando foi planejado o edital de construção, isso em 2008, estavam previstas o dobro das vagas atuais, mas alguém considerou esse número exagerado. E qual é o resultado dessas contas tão bem feitas? Moradia super-lotada, estudantes prejudicados e permanência ameaçada .


O pior é que as apresentações deste circo de horrores tende a aumentar. Cálculos bem modestos (feitos por estudantes, que parecem ter mais aptidão matemática que os dirigentes) dão conta que no próximo ano pelo menos 140 pessoas se amontoarão em um lugar onde mal cabem 32. E qual será a atitude da universidade? Oferecer pomposos auxílios no estrondoso valor de R$ 250 para ajudar no pagamento de aluguéis. 250 reais?


Mas, ora, que responsabilidade tem a Unesp com este bando de estudantizinhos? Se não tem dinheiro, que trabalhem, oras. Não é bem assim. Estudamos em uma universidade pública, que tem o dever de garantir a estudantes de baixa renda condições mínimas de permanência. Não é um favor ou esmola, é um direito nosso. Mas, ao que parece, aqueles que detêm o real poder continuaram a fazer contas e mais contas.


Obs.: Destaco que o texto não reflete a opinião de toda a Moradia Estudantil da Unesp, mas apenas as minhas reflexões como morador da mesma.

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