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O golpe mais ridículo da história

Carlos D?Incao
| Tempo de leitura: 4 min

Logo mais o Senado vai confirmar o Golpe de Estado sobre o governo Dilma. Sim. Um Golpe de Estado. Assim ficará registrado na História. E... Quis a humanidade, desde Heródoto, que a História fosse escrita por historiadores e não por políticos, nem por leigos e muito menos por juristas.  Esses últimos, em sua maioria, são os eternos “bacharéis” cujo ofício maior é manipular os códigos de leis - que engessam o progresso das sociedades humanas - para defender os privilégios e os crimes das minorias, as quais eles mesmos fazem parte.


A depender desses, ainda viveríamos sob a física aristotélica e sob o obscurantismo das sagradas leis medievais. Sempre foram e sempre serão os grandes maquiadores dos Golpes de Estado - desde a Antiguidade Clássica até os dias atuais. Ao mencionarmos o termo maquiagem, aproveitemos para por um ponto final em uma questão, por assim dizer, colocada de forma pouquíssimo direta: “pedalada fiscal”. Então, para os golpistas, o atraso de repasses do governo para bancos públicos é crime de responsabilidade... Seria o “grande pilar” da crise econômica que hoje vivemos... Pois esse “nefasto crime” teria maquiado a verdadeira condição econômica do país...


São argumentos tão pueris como desonestos. Apenas servem em um país onde a população nada entende de mercado financeiro. Como poderia o atraso de repasses já contabilizados fazer um investidor se enganar sobre a condição econômica de um país? Trata-se de uma questão de aritmética simples... Não... Esse não é o motivo de nossa crise... O motivo é a queda internacional do preço das commodities. E é justamente a valorização das commodities nos últimos dois meses a verdadeira razão da recuperação do Real e da Bovespa. Não é o “sucesso” dos golpistas... Essas são as falácias da mídia tupiniquim e seus papagaios de plantão. E um cenário de estagnação dessas commodities será a ruína do governo Temer.


No fim, esses atrasos de repasses (pedaladas fiscais) ocorrem devido a problemas de liquidez e fluxo de caixa. Esse governo federal e os passados (até o FHC) fizeram certo em atuar da maneira que atuaram, isto é, fazendo os bancos públicos usarem seus próprios recursos para evitar o atraso de obras públicas e o pagamento de programas sociais. Assim também fizeram mais de uma dezena de governadores de Estado. Nesse caso, ninguém agiu de forma imoral. Mais uma vez: agiram certo! E que continuem fazendo, quando houver necessidade! Porque não há nada de errado em evitar um mal maior, isto é, o atraso de programas e obras públicas que, aí sim, pode gerar o caos e onerar de forma brutal os cofres públicos.


Se pedaladas fiscais é maquiagem das finanças públicas, trata-se da pior maquiagem já feita na história das maquiagens. Aliás, maquiagens é o que todos os governos do mundo fazem - e com razão - para alavancar suas economias. A isso chamamos de política monetarista. O que dizer da valorização artificial do Real de 1994 a 1998? O que falar de sua abrupta desvalorização em 1999? O que falar da política de juros? Do rolamento de dívidas? Da emissão de novos títulos? Da intervenção do Banco Central no câmbio e na bolsa? Tudo isso são medidas que maquiam a economia, para tentar alavanca-la.


A depender de nossos sábios juristas e digníssimos deputados e senadores, todos os chefes de Estado da Europa, dos EUA, do Japão e da China sofreriam impeachment. Pois todos eles cometem - todo santo mês - essas tais “pedaladas fiscais”. Não por acaso toda a mídia internacional está dizendo em uma só voz o que está ocorrendo no país (com espanto): um legítimo Golpe de Estado. Mas não é qualquer Golpe de Estado. É o mais ridículo Golpe da História... Um golpe feito por um Congresso corrupto, um Senado prevaricador e um STF vendido... Uma política de “terra arrasada”  promovida pelos piores seres-humanos e que jogará o país na instabilidade social e política.


Um Golpe de velhos moleques bandidos. Apoiado por uma massa despolitizada e inconformada com a derrota nas urnas e que não soube esperar mais 2 anos para tentar ganhar democraticamente aquilo que rouba pelas vias mais corruptas. A continuidade do governo Dilma naturalmente, e muito possivelmente, daria a vitória para a oposição nas urnas em 2018... Democraticamente. Mas quem se importa com isso agora? O esculacho é o nosso legado. Assim se encerra na nossa História o Presidencialismo de Coalizão. O que virá depois... impossível saber... Mas parece qualquer coisa... menos uma Democracia...


O autor é professor de história/USP e diretor do Instituto de Ensino D’Incao

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