| Malavolta Jr. |
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| Rachaduras que surgiram na virada do ano ainda podem ser vistas em casas do Minha Casa Minha Vida do Jardim Ivone e geram temor em Raphael Pinto. |
Na virada de 2015 para 2016, moradores de dezenas de residências do Conjunto Habitacional Jardim Ivone ganharam um “presente” de ano novo nada agradável: trincas e rachaduras nas paredes e em outras partes dos imóveis, como muros e até no chão do quintal.
As 126 casas, construídas dentro do Programa Minha Casa Minha Vida, foram entregues no final de 2011, destinadas a habitantes da antiga favela do bairro, que puderam, enfim, morar com mais dignidade.
Porém, passados pouco mais de quatro anos, problemas estruturais geram medo e insegurança. “A gente tem receio que possa acontecer algo pior, até desmoronar a casa, porque tem rachaduras que são muito grandes. Dá para colocar a mão dentro quase, então estamos preocupados com o risco de acidentes mesmo”, afirma Raphael Dias Amorim Pinto, 31 anos, que está desempregado no momento e mora com a mulher, o sogro e a filha de quatro anos de idade em uma residência na quadra 5 da rua Alfredo Gonçalves D’Abril.
“Começou a aparecer essas trincas na virada do ano. Nos primeiros dias de janeiro já surgiram algumas, e só foi aumentando. Pelo que a gente conversa com os vizinhos aqui, tem pelo menos mais umas 25 ou 26 casas na mesma situação”, explica.
Ainda em janeiro, o JC fez matéria com moradores do bairro, mostrando o problema. A construtora Gobbo, responsável pelas obras em 2011, faliu há algum tempo, e agora os moradores cobram a Caixa Econômica Federal, responsável pelos contratos dos imóveis.
Em janeiro, funcionários do banco foram até o Jardim Ivone e observaram os problemas, mas as pessoas não tiveram retorno até agora.
“Nesta semana vieram de novo aqui, mas estamos esperando uma resposta do que vai ser feito, se há um prazo para mexerem nas casas e resolver isso. E caso façam a reforma, tem que ver também que a gente não tem para onde ir”, completa Amorim.
Outro imóvel
Pelo bairro, não é difícil encontrar mais gente que vive problema semelhante. Na mesma rua, a dois lotes de sua casa, Maria Aparecida Costa de Oliveira, 58 anos, vive o mesmo problema. “Essas trincas começaram na virada do ano. No meu quintal rachou o chão do quintal, que é de terra, e perto do muro com o vizinho de fundo”, disse Maria.
A residência dela fica em um nível mais alto do que o vizinho de fundo, e o medo é de o muro de arrimo possa não aguentar novas rachaduras. “É perigoso isso aqui”.
Resposta
Questionada pela reportagem do JC, a assessoria de imprensa da Regional Bauru da Caixa informou que as vistorias dos imóveis, para verificação problemas existentes já foram concluídas. “A Caixa esclarece que está apurando a quantificação dos serviços e coletando orçamentos. Quanto aos reparos no muro de arrimo, a Caixa contratou uma empresa especializada em solos e estruturas de contenção, que já efetuou as vistorias no local e está fazendo o levantamento do diagnóstico”, disse a nota enviada pela assessoria.
O banco ressaltou que após a conclusão dos estudos e definição dos procedimentos que devem ser adotados, estes deverão ser orçados para a contratação de empresa habilitada. “A Caixa esclarece que o andamento dos serviços de levantamento teve dificultadores, tais como não encontrar o morador no imóvel para a vistoria, e outros”, conclui a nota do banco.
