Polícia

60% dos roubos em Bauru tem como alvo celulares

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 4 min

Malavolta Jr.
Parecido com um GPS, o TMD ajuda a PM a descobrir se o celular foi alvo de furto ou roubo por meio do Imei do aparelho
Malavolta Jr.
Titular da DIG, Eduardo Herrera, e o relações públicas do 4 BPM-I tenente Mandaliti: medidas simples ajudam a evitar os crimes

Ao menos 60% dos roubos que acontecem em Bauru miram os celulares de pessoas que transitam pelas ruas com os aparelhos à mostra. A afirmação é feita pelas polícias Civil e Militar da cidade. As autoridades ainda colocam essa modalidade de crime como a mola propulsora da elevação dos roubos em geral, que cresceu 12% na comparação trimestral (janeiro, fevereiro e março) entre 2016 e 2015.

O assalto é o que mais tem preocupado as polícias, uma vez que, ao contrário do furto, são ocorrências cometidas, em sua maioria, com uso de grave ameaça e agressões físicas. Com foco na redução desses delitos, as autoridades lançam alertam para algumas medidas simples que podem ser tomadas por parte da própria população. Elas podem dificultar a vida dos criminosos.

O avanço dessas ocorrências também tem intensificado o uso de uma ferramenta considerada eficaz pela Polícia Militar: o chamado Terminal Móvel de Dados (TMD). Trata-se de um equipamento, com uma tela medindo cerca 15 centímetros (parecido com um GPS), encontrado no interior de ao menos 95% das viaturas da PM de Bauru. Ele realiza buscas online de acordo com o Imei do aparelho, permitindo descobrir se o celular já foi alvo de furto ou roubo, no momento do acesso. O Imei é o número de identificação de cada celular. Por ser único, é como se fosse uma impressão digital do aparelho.

Consulta online

Por meio de um sistema online ligado à Companhia de Processamento de Dados do Estado de São Paulo (Prodesp), o TMD rastreia a origem dos celulares encontrados com pessoas em abordagens de rotina da PM.

O equipamento existe desde 2010 em Bauru, mas até a alguns meses era usado somente para consultas de antecedentes criminais de pessoas físicas e para pesquisa do histórico de veículos. A nova função de pesquisa de Imei está ativa de fato em Bauru desde o ano passado.

“Até então, isso só era feito pela Polícia Civil e os suspeitos eram levados até a delegacia. Agora, consultamos no local da abordagem. E, se o celular for roubado, a pessoa pode responder pelo crime em si ou por receptação”, comenta o 1.º tenente Bruno Mandaliti, responsável pela comunicação da PM de Bauru.

“É um equipamento com uma base de dados alimentada pelo RDO, por isso a importância de as vítimas registrarem boletins de ocorrência (BO) de furto ou roubo”, destaca Eduardo Herrera, titular da Delegacia de Investigações Gerais (DIG).

Receptação

Sobre os roubos de celulares na cidade, Herrera aponta que a Polícia Civil tem conseguido a recuperação dos aparelhos em até 30% dos casos registrados. “Geralmente, encontramos quando eles (celulares) chegam aos receptadores. Quase sempre estão nos lares e com pessoas comuns”, frisa. No entanto, dificilmente a polícia chega aos autores dos crimes.

A suspeita somente cai por terra quando o a pessoa comprova a procedência do aparelho, com nota fiscal, por exemplo. Caso contrário, corre o risco de ser processada por receptação culposa, que prevê detenção de um mês a um ano, ou ainda por receptação dolosa (quando o receptor conhece a procedência do produto), que prevê de um a quatro anos de prisão.

Para que haja o rastreamento, contudo, é preciso que as vítimas informem o número de Imei no BO. “As pessoas costumam deixar a vida salva no celular. Ter o Imei em mãos é questão de necessidade, hoje, porque agiliza a investigação e ajuda a polícia a combater esse tipo de crime, que tem crescido”, finaliza o 1.º tenente Mandaliti.

Crimes não dependem do valor dos aparelhos

Considerado um crime de oportunidade, a maioria dos roubos de celulares envolve pessoas caminhando na rua com o celular em mãos. “Atitudes simples como deixar o celular guardado e caminhar contra o fluxo do trânsito de forma atenta ajudariam a evitar alguns crimes e dificultar o elemento surpresa”, alerta Herrera.

Tanto a PM e quanto a Polícia Civil alertam que o delito tem ocorrido independentemente do valor de mercado dos aparelhos. “Sempre há um link com o tráfico de drogas. O celular é uma boa moeda de troca, seja caro ou barato. Os mais simples têm sido até preferidos por serem mais difíceis de serem rastreados”, acrescenta o 1.º tenente Bruno Mandaliti.

Serviço

Foi vítima de furto ou roubo? Comunique a polícia por meio de boletim de ocorrência eletrônico no site da Secretaria de Segurança Pública: https://www.ssp.sp.gov.br/nbo/

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