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Coleta seletiva para de crescer em Bauru

Cinthia Milanez
| Tempo de leitura: 3 min

Divulgação

A despeito do esgotamento do aterro sanitário, a coleta seletiva, que seria uma alternativa para minimizar o problema, parou de crescer. Entre os primeiros quatro meses deste ano e os de 2015, a Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb) recolheu 3,6% a mais de lixo reciclável, um percentual tão baixo que é compreendido como estagnação. O órgão atribui o tímido desempenho aos catadores ‘clandestinos’ e ao fato de que nem todo mundo separa os resíduos.

Para se ter uma ideia, no primeiro quadrimestre de 2014, a Emdurb coletou 730,2 toneladas de lixo reciclável. No mesmo período de 2015, foram 890,4 toneladas, 18,6% a mais. Neste ano, o valor subiu para 922,06 toneladas, 22,9% a mais do que em 2014, mas só 3,6% acima do que foi recolhido em 2015. O gerente de limpeza pública da instituição, Nivaldo Peres, assume que, de fato, a coleta seletiva teve uma pausa em seu crescimento.

João Rosan/JC Imagens
Nivaldo Peres, da Emdurb: “A crise também tem colocado nas ruas mais catadores, que perderam seus empregos e optaram por viver dessa forma”

Segundo ele, um dos motivos seria o aumento de catadores clandestinos, mas não apenas daqueles que trabalham sozinhos com seus carrinhos. “Há empresas que utilizam caminhões para recolher o lixo reciclável”, complementa. Outra explicação seria o fato de nem todo mundo separar os resíduos. “Nós atingimos de 75% a 80% do município com a coleta seletiva. Muitos moradores que estão nesse percentual não separam o lixo”, reforça.

Peres acrescenta que não há nenhuma lei que proíba os catadores de realizarem seu trabalho. Estes, inclusive, vêm aumentando a cada dia que passa, conforme constata o gerente de limpeza pública da Emdurb. “A crise diminuiu o poder de compra da população, fato que gera menos lixo comum ou reciclável. A recessão também tem colocado mais catadores nas ruas, que perderam seus empregos e optaram por viver dessa forma”, defende.

Falta lixo

Quem reclama de falta de lixo é a administradora da Cooperativa Ecologicamente Correta de Materiais Recicláveis (Coopeco), Gisele Moretti. Ela se surpreendeu diante dos números, que apresentaram tímido crescimento. “Outras duas cooperativas prestam serviço à Emdurb, mas, no caso da Coopeco, não houve aumento algum, pelo contrário. Em 2013, quando firmamos a parceria, recebíamos 80 toneladas de lixo ao mês. Agora, não passa de 60”, revela.

Gisele narra, ainda, que chegou a fechar a cooperativa mais cedo algumas vezes, justamente por falta de lixo. “Quando a Coopeco foi criada, em 2013, começou com 26 cooperados e, agora, trabalha com 20. A tendência é de que sejam excluídos mais três, porque não há demanda para mantê-los trabalhando”, reclama.

Entre soluções está a campanhas de conscientização. Este quesito também foi citado pelo gerente Nivaldo Peres. “Procuramos enviar a mesma quantidade de lixo para as cooperativas. O que precisa é conscientizar a população, o que já é feito, e levar os catadores às cooperativas”, afirma.

‘Sonho em arrumar um emprego’

De boa prosa, o catador de lixo Reginaldo Silva, 44 anos, tem orgulho do faz, mas ainda assim quer deixar essa vida de lado. Mesmo sem ter muitas habilidades profissionais, ele pretende encontrar um emprego que “tenha hora para entrar e sair”, conforme descreve, porém, está difícil. Reginaldo passou a exercer a função porque se cansou de vender balas nas ruas. “Muita gente me mandava ir trabalhar, sendo que já estava trabalhando. Essas pessoas me humilhavam”, diz.

Sem conseguir um emprego com carteira assinada, o catador foi levado a trabalhar na área, se quisesse sobreviver. Ele é um exemplo do que o gerente da Emdurb Nivaldo Peres disse à reportagem: a crise “empurra” os trabalhadores para essa função. Contudo, ganhar R$ 3,00 ou R$ 4,00 ao dia não ajuda muito e, para piorar, Reginaldo não consegue recolher tanto material para a venda. “A coleta seletiva e outros caminhões particulares me atrapalham”, comenta. 

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