Tribuna do Leitor

O povo não é idiota

Célia Calabria
| Tempo de leitura: 2 min

É impressionante o que líderes populistas conseguem fazer com a cabeça de seus seguidores. Parecem papagaio de pirata ou robôs programados para repetirem as mesmas frases o tempo todo. A presidente foi eleita com 54 milhões de votos. Isso representa 38% de votos, levando-se em conta todos os eleitores do país. Significa que, somando-se os votos do Aécio (quase 52 milhões), os brancos, nulos e ausentes, 62% dos eleitores, não a queriam. E hoje, seus 10% de aprovação mostram que até quem votou nela não votaria mais, pois foram deliberadamente enganados.


A presidente é íntegra e honesta. Se fosse, não faria o diabo e não enganaria uma nação inteira para ganhar as eleições. Ela não tem contas em paraísos fiscais, mas facilitou o assalto à Petrobras, pois certamente não cairia do céu o volume de dinheiro gasto em sua campanha. O impedimento é golpe. Os juízes do STF dizem que não é. Não houve crime de responsabilidade. Ela mesma afirma que houve, quando declara que os “outros” também usaram as pedaladas e com eles não aconteceu nada, por que só com ela? Provavelmente porque os outros usaram um volume pequeno de dinheiro que logo era devolvido aos bancos, não comprometendo as finanças do Brasil como ela fez. Pior, sugere que se alguém erra ou não cumpre a lei, qual é o problema de outros fazerem o mesmo? Seria o caso de se perguntar: para que Constituição?


A democracia está ameaçada. Quem ameaça a democracia é ela quando aprova medidas, por conta, passando por cima do Congresso. Isso sim é uma postura ditatorial. Isso sim é uma ameaça à democracia. O povo não é idiota e sabe muito bem como funciona o nosso sistema financeiro. Sabe que, se alguém pede um empréstimo, muito acima do que pode pagar, com certeza, em caso de inadimplência, terá seus bens retirados e se não os tiver o exercício de sua cidadania ficará comprometido, não terá crédito, nem cartão bancário, nome sujo e, dependendo das circunstâncias, poderá ser barrado em empregos, tanto do setor privado como do público. Toda sua família vai padecer.


Com um país é a mesma coisa, só que são 11 milhões de desempregados, país desacreditado e empobrecido, pagando a conta da irresponsabilidade. Sabem também que quem guarda um dinheirinho todo mês, numa emergência, usa-o e, dessa forma, evita o desequilíbrio financeiro da família. Com um país, a situação é semelhante. Quando cai o preço das commodities, a saúde financeira não sofreria tanto se existisse um lastro, porém, não é isso que acontece quando se dilapida os cofres públicos e ainda se toma bilhões emprestados, sem ter de onde tirar para devolvê-los.


Agora começaram as mesmas mentiras da campanha. Os “outros” vão acabar com os programas sociais, quando, na verdade, eles já estão diminuídos e comprometidos. Para o PT e a nossa presidente, vale sempre a máxima: quando uma mentira é repetida exaustivamente, até quem a criou acaba por acreditar que ela é uma verdade.

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