O País vive um período de transição. Independentemente da discussão em torno da forma com que esta transição está sendo levado a efeito, é imperativo que encontremos um novo caminho para que o Brasil saia do marasmo em que se encontra. Os indicadores econômicos falam por si. Os desafios que se apresentam não serão poucos e a sociedade não tem mais tempo para esperar. É imperativo fazer a lição de casa.
Neste contexto, elegi alguns itens que compõem o que posso denominar de “desejos” para o futuro deste País. Desejo inicialmente e do fundo do coração que seja implementado um novo modelo econômico. Não há mais espaço para artificialismo. Uma hora a conta terá que ser paga. Desejo que este novo modelo tenha como princípio um rigoroso controle das contas públicas. As despesas devem caber no tamanho das receitas, sem artificialismo, sem pedaladas, com a maior transparência possível. Este rigor permitirá entre outras questões o resgate da confiança dos agentes públicos. Não se faz necessário aumentar tributos, o desejo é que os gastos sejam contidos mesmo que isso leve a cortar a própria carne.
Desejo que a partir da retomada da confiança, com planos claros que controle fiscal, espaços sejam abertos para o controle da inflação. Desejo que este controle seja realizado muito além da política monetária, muito além de juros elevados para conter o consumo, que seja realizado com olhar seletivo atacando as causas da inflação, com ações firmes das agências reguladoras, com apoio do Cade para atacar setores que fique evidenciada formação de conluios e imposição de preços previamente acordados pelos grandes conglomerados. Desejo ainda que a inflação caia até o centro da meta de 4,5% ao ano. Desejo que o consumo possa voltar a crescer, mas sem endividamento das famílias.
Desejo que o País recupere sua capacidade investimento. Que meta seja atingir o patamar mínimo de 25% do PIB, garantindo equacionar os gargalos existentes, permitindo sustentar o crescimento econômico. Desejo que seja revista a pauta de exportação brasileira. Desejo que o Brasil não continue refém das exportações de commodities e que um sério programa de substituição de importação seja introduzido.
Desejo que o avanço do endividamento público seja estancado. Desejo que o câmbio continue flutuante. Desejo que seja atacado o déficit da previdência social. Desejo que sejam canalizados esforços para reduzir a burocracia no País. Desejo que a carga tributária seja reduzida e que o governo trabalhe firmemente na simplificação do sistema tributária nacional.
Desejo que os juros praticados pelos bancos estejam alinhados com a realidade de inflação abaixo de dois dígitos. Desejo que o Banco Central atue no oligopólio existente no sistema financeiro nacional, coibindo abusos. Desejo que a corrupção seja eliminada no País. Desejo que os indicadores sociais sejam priorizados. Destaco meu desejo para que a mortalidade infantil seja contida, que os idosos não precisem voltar ao mercado de trabalho e que haja políticas públicas estruturadas para estes.
Desejo que haja um choque de gestão na saúde pública brasileira. Desejo que a educação seja a principal revolução que permita inclusão social. Desejo que a qualidade de vida da população brasileira seja prioritária. Desejo finalmente que o cidadão tenha a possibilidade de ser digno, definindo seu destino, tendo seu sustento próprio, sem esmolas, mas com oportunidades de ter sua própria renda. São desejos fora da realidade? Talvez tudo simultaneamente possa ser, mas como sabemos que para quem não sabe aonde quer ir, qualquer lugar é bom, se faz necessário traçar metas e transformar desejos em objetivos.
Cada um de nós certamente sabe que País deseja. Para que isso seja realidade temos que trabalhar neste sentido. Os desejos que podem se transformar em objetivos aqui elencados não serão conquistados por este governo, mas se este caminhar na direção correta poderá ser um primeiro grande passo para atender estes e tantos outros desejos positivos para o povo brasileiro. Desejos desejados juntos podem virar objetivos que podem ser alcançados juntos.
O autor é economista e articulista do JC