| Samantha Ciuffa |
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Futebol e música. Duas palavras que podem resumir o cotidiano de Jeová Rodrigues, mais conhecido como Rodrigues ou “Muchacho”. Ele é massagista histórico do Noroeste e forma a dupla Duarte & Rodrigues, com o tenente-coronel da Polícia Militar Jorge Duarte.
A sua trajetória profissional foi marcada pela ferrovia. Aos 16 anos, ele começou a trabalhar na Noroeste do Brasil, onde conheceu a música e também se fez um cantor apaixonado pelas canções paraguaias, o que rendeu a ele o apelido de “Muchacho”.
Em 1984, ele chegou ao Noroeste, mas saiu para trabalhar no Matsubara, retornando em 1988, para não mais sair. Com o time, ele viveu ótimos e tristes momentos. Caiu e levantou diversas vezes com o Esporte Clube Noroeste.
“O momento feliz que mais me marcou no Noroeste foi quando perdíamos de 4 a 1 para o Botafogo e ganhamos de 5 a 4. Isso foi histórico. Uma virada histórica. Bombou nos jornais”, recorda. Confira mais, abaixo.
Jornal da Cidade – Há cerca de 30 anos como massagista do Noroeste, você é um verdadeiro “patrimônio” do time.
Jeová Rodrigues – (Risos) Vim para o Noroeste em 1984. Comecei como roupeiro, fiz vários cursos e me tornei massagista. Depois fui para o time do Matsubara e, em 1988, voltei para o Noroeste e não saí mais.
JC – Quais foram as suas ocupações profissionais antes do clube?
Rodrigues – Eu comecei minha vida trabalhando nos trens da Noroeste. Fui garçom nos trens. Comecei aos 16 anos de idade e fiquei até os 20 e poucos anos. Fiz uma porção de coisas, também fui gerente... fazia a linha Bauru/Corumbá e Campo Grande/Ponta Porã. O trem era o progresso. Foi algo que desbravou a região. E Bauru era tronco, o princípio de tudo, com a Sorocabana, Paulista e Noroeste. Por aqui começou o transporte de passageiros, de carga. Era tudo o trem que fazia. O movimento foi o que mais me marcou. Era demais. Muito mesmo.
JC – Depois do trem, a sua estrada seguiu para o Norusca?
Rodrigues – Antes disso, eu cantei. Havia um trio musical chamado Irmãos do Campo, e eu viajava com eles. Também viajei cantando com a orquestra do Mauro de Campos... viajei pelo Mato Grosso, Paraná, todo o Estado de São Paulo... sempre no violão e voz.
JC – Você acompanhou muitos risos e choros com o time de Bauru?
Rodrigues – Muitos bons e maus momentos. Tem uma fase que me marcou bastante. Não lembro exatamente o ano, era década de 1980, mas a gente não ganhava de ninguém e havia vários bons jogadores na equipe, como o João Marcos, o Marco Antônio, Janildo... veio um psicólogo e fez uma reunião com a gente. Ele disse que a cabeça ficava em cima para comandar o resto do corpo. Um jogador olhou para ele e perguntou se ele trabalhava sem dinheiro. E ele disse que não (risos). Mas eles começaram a treinar e a treinar. Alguns subiram do juvenil, como o Lela e o Paulinho Piada, e foram 11 partidas invictas. Ou seja, a fase ruim estava na cabeça mesmo, e também na falta de dinheiro. Depois o João Marcos foi para o Palmeiras e foi campeão do mundo pelo Grêmio.
JC – Você é um funcionário muito querido no clube...
Rodrigues – Eu sempre trabalho incentivando os jogadores. E eles me retribuem isso, dizem que a minha presença e força são fundamentais. O futebol me deu muitos amigos e eu acabo elevando o astral deles, com palavras de incentivo. “Adoto-os” como filhos mesmo (risos).
JC – Uma história de sorriso largo com o Norusca.
Rodrigues – O momento feliz que mais me marcou no Noroeste foi quando perdíamos de 4 a 1 para o Botafogo e acabamos ganhando de 5 a 4. Isso foi histórico. Uma virada histórica. Bombou nos jornais.
JC – Um momento de derrubar lágrimas com o time.
Rodrigues – Todas as vezes que o time caiu foram tristes. Mas uma das quedas foi mais triste. Estávamos em terceiro lugar no Paulista, na segunda divisão, para subir, e acabamos caindo para a terceira e, da terceira, caímos para a segunda. O Noroeste, por mais que tenha tropeçado, nunca havia caído para a chamada “bezinha”. Muito triste isso.
JC – Com ‘quais olhos’ você vê o time hoje?
Rodrigues – O Noroeste é um time muito grande. É centenário e temos uma estrutura física muito boa. Se não acabou até agora, eu penso que há chances de dar a volta por cima, sim, e melhorar muito mais.
JC – Como teve início a sua história com a música?
Rodrigues – Viajando para o Paraguai, quando eu trabalhava no trem, eu frequentava cassinos. Jogava um pouquinho e sentava para ouvir os trios paraguaios que tocavam por lá. E eu me apaixonei por aquela música. Aprendi e canto até hoje. Também conheci e aprendi músicas mexicanas. Peguei gosto pela música latina e ganhei o apelido de “Muchacho”. Inclusive eu trouxe um pouco de polca paraguaia e boleros para o sertanejo raiz do Duarte.
JC – Quando se deu o encontro do Rodrigues com o Duarte?
Rodrigues – Foi há uns seis anos. Ele havia desmanchado uma outra dupla e uns amigos falaram de mim para ele. Fizemos um ensaio e deu certo. Nasceu a dupla Duarte & Rodrigues. A gente ensaia ao menos uma vez por semana e fazemos shows sempre que podemos. Na próxima sexta-feira, por exemplo, estaremos no Greb Recreativo. Estamos no quarto CD promocional. E também temos trabalhos autorais. O Duarte compõe. A música alegra o espírito. Sou futebol e música (risos).
JC – Pensou em ser jogador?
Rodrigues – Ah, cheguei a correr no gramado, mas nunca tive o dom para isso. Antigamente, havia o “jogador show” e eu não sabia fazer o espetáculo.
JC – O futebol mudou muito com o passar das décadas?
Rodrigues – Bastante. Como eu disse, antes era show, habilidade. Hoje é força. As arquibancadas ficavam lotadas para ver os jogadores darem o seu espetáculo. O Araras, por exemplo, era galã. Ele parava na frente do adversário, jogava os cabelos de lado, fazia o drible e a torcida levantava. E muitos outros jogadores jogavam para a torcida. A torcida vibrava mesmo. Essa é uma das maiores diferenças entre o futebol do passado e o atual. Hoje é tudo muito nivelado.
Perfil
Jeová Rodrigues
Tem 66 anos e nasceu em Duartina/SP
É casado com Zilma e pai de Maycon
Além do futebol, sua paixão é a música, tocar violão, principalmente
É noroestino e corintiano
Ama música paraguaia, o que rendeu a ele o apelido de “muchacho”
Nota 10: Para as instituições de caridade, porque ajudam na evolução do ser humano
Nota 0: Para os que “fazem ponte” sobre as pessoas para se darem bem
Contato (WhatsApp): (14) 99791-6769
