| Douglas Reis |
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| Vanessa Isabella dos Santos Ramos, coordenadora do Conselho Regional de Serviço Social em Bauru |
Ontem foi celebrado o Dia do Assistente Social, profissão que completa 80 anos de existência no Brasil. Ofício que, ao longo da história, foi amplamente exercido pelas mulheres, mas que começa, ainda de forma tímida, ter a presença masculina. Em Bauru, os assistentes sociais têm importante contribuição na sociedade. O município, inclusive, conta com formação superior na área desde 1963, quando foi instalada a Faculdade de Serviço Social na Instituição Toledo de Ensino (ITE), que segue em atividade até hoje.
O dia é comemorado em virtude do Decreto 994/62, editado em 15 de maio de 1962 e que regulamentou a profissão do assistente social, criando os Conselhos Federal e Regionais. “As primeiras escolas de serviço social surgiram no Brasil no final da década de 1930, quando desencadeou, no País, o processo de industrialização e urbanização. Nas décadas de 40 e 50, houve um reconhecimento da importância da profissão, que foi regulamentada em 1957 com a Lei 3252”, explica Vanessa Isabella dos Santos Ramos, coordenadora do Conselho Regional de Serviço Social (Cress) em Bauru.
Ela cita que que o assistente social pode atuar tanto na esfera pública quanto na privada. “O assistente social atua na garantia dos direitos da classe trabalhadora. Realiza estudos e pesquisas para avaliar a realidade social, além de produzir parecer social e propor medidas e políticas sociais, planeja, elabora e executa planos, programas e projetos sociais, presta assessoria e consultoria as instituições públicas e privadas e, também, aos movimentos sociais. Também orienta indivíduos e grupos, auxiliando na identificação de recursos e proporcionando o acesso aos direitos sociais, realiza estudos socioeconômicos com indivíduos e grupos para fins de acesso a benefícios e serviços sociais, e atua no magistério de serviço social e na direção de unidades de ensino e centros de estudos”, completa.
“A prática profissional do assistente social é orientada pelos princípios e direitos firmados na Constituição de 1988 e pelas legislações complementares referente às políticas sociais e aos direitos da população”, define Vanessa Ramos.
Os conselhos - tanto regional quanto federal - têm como principal finalidade a fiscalização da atividade profissional. Atualmente, são 120 mil assistentes sociais, colocando o Brasil como segundo País do mundo com mais profissionais, atrás apenas do Estados Unidos. Na seccional de Bauru do Cress, estão registrados 1.281 assistentes sociais.
Evolução
A professora doutora Lilia Christina de Oliveira, livre docente pela Unesp-Franca e coordenadora do curso de serviço social da ITE, diz que a formação dos profissionais também evoluiu nos últimos anos. “O serviço social avançou na renovação e revisão de seu currículo mínimo de formação profissional na Convenção Nacional da Associação Brasileira de Ensino de Serviço Social - hoje, ABEPSS -, em que a formação profissional indica que o processo de trabalho do assistente social é determinado pelas configurações estruturais e conjunturais da questão social e pelas formas históricas de seu enfrentamento incorporadas pela ação dos trabalhadores, do Capital e do Estado, através das políticas e lutas sociais”, teoriza Lilia de Oliveira.
“O assistente social é um dos profissionais que amplia e consolida a cidadania, tarefa primordial não só deste profissional, mas de toda a sociedade, com vistas à garantia dos direitos civis, sociais e políticos da classe trabalhadora e na anulação de qualquer forma de preconceitos, trabalhando na defesa da democracia, na socialização e universalização da participação política e das riquezas produzidas socialmente”, opina. “A profissão, ao longo dos anos, avançou em demasia, rompendo com o conservadorismo assistencialista, atuando na direção do debate da exploração da classe trabalhadora, inserindo sobre as questões que dizem respeito à sua sobrevivência social e material”, resume.
Grupo e amizade
Adélia Maria Conti foi assistente social, atuando no INSS, e atualmente está aposentada. Desde 1998, ela e outros colegas de profissão formaram o Grupo Assistente Social Sempre e Amigos, que se reúne sempre na segunda quarta-feira do mês. “São cerca de 20 participantes assíduos, a maioria mulheres, mas temos três homens também. Eventualmente. outros participam, porque não é algo fechado. A intenção é conversar, fazer amizades. Marcamos os encontros em restaurantes, às vezes na casa de alguém, em um salão de festas”, aponta Adélia.
Ela comenta que uma das fundadoras e participantes do grupo, até hoje, é Célia Martins, a Celinha, atualmente com 93 anos, e uma das precursoras da profissão em Bauru. Sobre o trabalho do assistente social, Adélia acredita que houve grande evolução. “As pessoas confundiam muito o trabalho do assistente social com o assistencialismo, são coisas distintas. O assistente social procura despertar os direitos dos trabalhadores e dos cidadãos de uma maneira geral, e também os deveres”, afirma.
