Tribuna do Leitor

Quem poderá nos defender?

Thiago Rodrigo Alavarce
| Tempo de leitura: 2 min

Vivemos em busca de um super-herói que nos proteja, que nos dê segurança, sua aparência talvez seja de um homem de capa, ou mascarado, mas às vezes pedimos o mínimo, ao menos um “polegar”, um pequenino que vista capuz e roupa vermelha... o fato é que estamos tão carentes de segurança que apelamos para “tudo”, menos para quem teria como função realmente nos defender.


Sou enfermeiro e trabalho no Samu de Bauru, minha função é salvar vidas. Mas enquanto trabalho, quem salva a vida de minha família? Quem nos protege? Moro no Bairro Quinta da Bela Olinda, e lá, além de falta de iluminação publica, asfalto precário e buracos que são tapados com areia pela prefeitura, além da ausência de saneamento básico e higiene, agora sofremos com o descaso da segurança pública. Em minha quadra, em um mês foram 3 assaltos com prejuízo de até 600 reais. O foco são botijão de gás e ferramentas de jardinagem que os meliantes trocam possivelmente por entorpecentes.


É bem verdade que muitas vezes a própria PM não é culpada, pois trabalha desfalcada e sem efetivo suficiente para cobertura da comunidade. Um dia, questionando um colega PM, o mesmo me falou que na Zona leste, no período noturno, o efetivo conta apenas com uma VTR com dois policiais para cobrir toda região leste de Bauru, que conta com mais de 20 bairros. Mas o que vemos na verdade são 4 ou mais VTRs em blitz policial atrás de documentação atrasada em carros da comunidade. Não sou contra essas blitz, pelo contrário, acho muito justo, mas não é só a população decente que deve ser fiscalizada pela lei, os “meninos da farinha” também têm que ter as fardas no pé deles, mas este é apenas um sonho que oro todo dia a Deus para que se realize.


O direito à segurança pública é garantido pela Constituição Federal e é pago por nossos impostos, que muitas vezes sentimos ser abusivos e injustificados. E agora, depois do assalto, quem paga de novo o prejuízo? Claro, quem paga o prejuízo é que já pagou pela segurança também. E a pergunta continua no ar: “Quem poderá nos defender?”

Comentários

Comentários