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Erros e acertos do governo Temer

Reinaldo Cafeo
| Tempo de leitura: 3 min


Passados os primeiros dias da gestão interina de Michel Temer é possível avaliar seus erros e acertos. Para simplificar a análise, vamos trabalhar em duas dimensões: a política e a econômica. Na dimensão política ficou claro que na opção para compor seu ministério Temer levou em conta o peso dos partidos que o apoiam. Buscou verdadeiros “caciques” políticos que sejam capazes, via articulação, de garantirem importante apoio dos congressistas. Mesmo entendendo a lógica da decisão, talvez resida aí um dos grandes erros de Temer. Sem um olhar “qualitativo” trouxe para o seio do governo problemas ligados à corrupção, notadamente no tocante à operação Lava Jato, promovendo desgastes desnecessários neste início de governo.

É senso comum que a margem para erros de Temer é muito estreita. O evento “Jucá” deu a dimensão dos riscos que ele correu e corre em optar pelo Ministério politicamente “robusto”. Outro fato importante foi à falta de análise da dimensão que tomaria a extinção do Ministério da Cultura. Todos sabemos que diminuir o número de ministérios seria importante, mas faltou seletividade. Alguém ou o próprio Temer teria de ser capaz de analisar custo/benefício da medida. Deu no que deu: passou uma imagem de que, sob pressão, volta atrás. Nem a batida de mão na mesa quando indagado sobre sua capacidade em governar foi capaz de eliminar dúvidas sobre sua forma de gestão. O País clama por um Estadista, com firmeza nas decisões e capaz de agir traçando cenários e tendo toda convicção necessária que o cargo exige.

Não obstante os desgastes iniciais e até o fornecimento de munição àqueles que agora são oposição, como é o caso do PT, na dimensão econômica há acertos. Podemos considerar que as primeiras medidas nesta área não são completas, mas podemos entender como um primeiro passo. Acerta ao fixar limites de gastos públicos. Evidentemente que ao optar por correções destes gastos no limite da inflação terá que estruturar tecnicamente a decisão (há despesas vinculadas, também uma relação de aumento de receitas versus este limite de despesas) e ainda conquistar o Congresso Nacional, mas é o indicativo que os agentes econômicos desejavam.

No tocante ao apoio político, o primeiro teste do governo Temer foi positivo: conseguiu a toque de caixa aprovar no novo limite da meta fiscal em R$ 170,5 bilhões.

Também acerta ao tentar a devolução dos recursos do Tesouro injetados no BNDES. Mesmo dependendo de interpretação jurídica e considerando o volume pequeno diante do tamanho da dívida pública, é um caminho que demonstra em que se quer atacar: estancar o crescimento do endividamento. São R$ 100 bilhões em três anos.

Neste mesmo sentido vai a retomada dos recursos do Fundo Soberano, estimado em R$ 2 bilhões. Outra medida que ataca o déficit público é a suspensão de novos subsídios para alguns setores da economia. Como colocado são medidas incompletas demonstrando que a estratégia traçada é de não entrar nesta primeira fase em temas polêmicos tais como a reforma da previdência, o fim da indexação da economia, o orçamento base zero, e até mesmo a elevação da carga tributária.

No balanço “erros e acertos”, avalio que há mais acertos, entretanto, alerto para que as questões políticas não voltem a tomar espaço além do necessário. Isso tem provocado o retardamento demasiado da recuperação da economia. Se houver espaço pare que a equipe econômica atue, poderemos ter dias melhores. É possível dar um voto de confiança ao governo de Temer.

O autor é economista, articulista do JC

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