Articulistas

Luzes em Thaupeeka

Janira Fainer Bastos
| Tempo de leitura: 2 min

Está há muito tempo sem sentir aquele friozinho na barriga enquanto lê um texto novo? Então, você está lendo o livro errado.  Sugiro que procure por V.R. Janson, porque ele deverá se tornar um importante representante da nova geração de autores de ficção científica. Janson possui uma linguagem simples e seu modo visionário de contar a história demonstra um senso de humor apurado e habilidade literária.  


Em um sábado de manhã, Billy e Maybel conversam sobre sua única amiga Trudy e ETs. Longe dali, George, Allan e Bill do grupo governamental que busca provas dos embustes envolvendo sinais de visitas de habitantes de outros planetas, preparam-se para uma nova caçada, na fazenda de Terrence Wilcox. Phillip passa seu tempo procurando OVNIs, enquanto Ethel cuida de David, seu filho autista. Agora vamos juntar todos os personagens aos Filhos das Estrelas, liderados por Mondhór. A trama está posta e a criatividade do autor correu solta.


Muitos leitores querem saber o que há de verdade e o quanto existe de elucubração nessa história. Em minha opinião trata-se de uma obra de ficção bem elaborada e construída do começo ao fim de interessantes fatos – alguns pouco conhecidos e outros nem tanto – com provocações estimulantes, mesmo que algumas fortemente especulativas.


O autor brinca com o leitor o tempo todo através de um vai e vem de descrições, convenções, crenças, lugares comuns e alguns clichês. V.R. Janson teve o cuidado de escrever sobre algo situado em um momento impreciso, embora o pano de fundo me pareça ser a contemporaneidade. Para quem examina o livro e lida com o resultado pronto, dessa atividade de contar/recontar o problema, é como conciliar a história/a escrita fazendo uma associação fina entre os vários níveis da tríade arte, sociedade e cultura. Com isso ele surpreende o leitor a todo instante em uma área, onde Asimov e Clark tiveram enorme sucesso e praticamente esgotaram o assunto.  


Daí o impacto causado pelo bauruense radicado em Salvador com seu livro inesperado. Nele todos os núcleos se sustentam sozinhos e juntos são instigantes. Não posso revelar o final, mas você leitor vai perceber coisas bastante interessantes sobre a vida de Maybel e como ela se descobriu e nem foi com sessões de psicanalise, pois a solução veio da sagacidade do autor. A pergunta é: em que medida o clima esotérico e surreal de Salvador, a terra de Jorge Amado, teve participação na fantasiosa historia contada em Luzes em Thaupeeka?  


A autora é doutora em Estética e História da Arte

Comentários

Comentários