Saúde

Menos estresse, mais qualidade de vida

Daniela Hueb
| Tempo de leitura: 4 min

Prezado leitor,

Um chefe autoritário. O trânsito de todo dia. A luta contra o desemprego. Uma doença complicada na família. Insatisfações pessoais. Listei só alguns, mas cada um sabe o motivo que o faz viver em estresse. E digo viver em estresse, porque um nervoso ou outro, é normal ter, faz parte dos nossos dias, até porque a gente não vive em uma bolha, alheia a tudo o que se passa no mundo. O grande problema é quando o estresse se torna uma constante na sua vida: boas chances de sua saúde sofrer com isso e os problemas se tornam mais variados do que você imagina. Conheça quais são e saiba como agir.

Mas antes... por que exatamente o estresse faz mal?

Quando você está estressado, o corpo tenta de toda forma se autoproteger. O que acontece é que o hipotálamo do cérebro envia gatilhos químicos para nervos e glândulas supra-renais, que liberam hormônios como o cortisol, que aumentam a pressão arterial e o açúcar no sangue. O processo, a longo prazo e com frequência, pode prejudicar a saúde. Os principais problemas estão listados abaixo:

Insônia: o estresse deixa você hiperativo, que prejudica o sono. Um período longo de estresse também pode causar insônia e contribuir para distúrbios do sono. Nesses casos, o indicado é optar por atividades relaxantes

Hipertensão: o coração acelera o ritmo em fases estressantes. Em altas doses, e por um longo período, a adrenalina aumenta a pressão arterial de maneira irreversível.

Saúde do coração: falta muito estudo conclusivo nesse campo, porém, um estudo europeu descobriu que pessoas que têm trabalhos estressantes são 23% mais propensas a ter um primeiro ataque cardíaco que as demais.

Dores de cabeça / enxaqueca: a adrenalina e o cortisol podem causar alterações vasculares que deixam você com dor de cabeça e enxaqueca. O estresse também deixa os músculos tensos, o que pode piorar ainda mais essas dores.
Uma dica! Para enxaqueca e dores tensionais nas costas, nos ombros e na nuca, uma dica é a aplicação de toxina botulínica, que alivia os sintomas. Converse com seu médico a respeito.

Questões gastroentestinais: viver nervoso pode levar ao desenvolvimento de gastrite, úlcera, refluxo, diarréias, intestino preso, colites, etc.

Compulsão alimentar: o cortisol, esse famoso hormônio, gera ansiedade e mais vontade de comer açúcar e gordura. Sabe aquela barra de chocolate devorada em um dia difícil? Pois é! Se você costuma descontar o estresse na comida, deixe lanches saudáveis e frutas sempre por perto e evite comprar alimentos mais prejudiciais.

Mais gordura corporal: além da má alimentação durante os períodos de estresse, o cortisol também aumenta a quantidade de tecido adiposo, ou seja, aumenta as células de gordura abdominal (principalmente)

Diabetes: antes de mais nada, entenda que sozinho o estresse não produz diabetes, mas pode ser um gatilho para a doença, visto que o estresse libera mais cortisona no organismo e, assim, pode aumentar os níveis de açúcar no sangue.

Sistema imunológico mais fraco: o motivo também está relacionado ao cortisol, hormônio que inibe as defesas naturais do nosso corpo.

Problema de memória: excesso de cortisol no organismo pode prejudicar a capacidade do cérebro de guardar memórias.

Queda de cabelo: o estresse pode denunciar uma queda provisória, impulsionada por um momento em que os níveis de tensão estão mais altos. Pode até provocar a antecipação da calvície para quem tem pré-disposição a perder os fios. Mas calma: perder até 100 fios ao dia é natural, portanto, converse com seu dermatologista.

Acne: o aumento na produção de cortisol estimula os hormônios androgênios, que por sua vez acionam ainda mais a glândula sebácea. Quando mais sebo a pele produz, maiores as chances de ter os poros entupidos.

Dá para prevenir!
A melhor forma de evitar esse pacotão de doenças e problemas acima é não deixar que o estresse atrapalhe sua vida. O primeiro passo é respirar fundo e viver uma coisa de cada vez, sem sofrer por antecipação. Mas também é necessário:

Dar mais risada: rir libera endorfinas, que são hormônios que promovem a sensação de bem-estar; também ativa a sua resposta ao estresse, aumentando a sua frequência cardíaca e pressão arterial

Fazer mais sexo: o contato íntimo com seu amado (ou amada) produz alterações químicas cerebrais, melhorando o humor devido à liberação de testosterona, estrogênio e outros hormônios. Só não se esqueça da camisinha.

Dormir bem: o sono recupera você para mais um dia, portanto, crie uma rotina à noite, evite tomar café e fazer refeições pesadas à noite. Tudo isso ajuda muito, um chazinho pra relaxar também é uma boa!

Praticar atividade física: ela libera endorfina e ajuda na qualidade do seu sono, além de controlar o apetite. São doses diárias de felicidade da qual não vale abrir mão!

Ajuda psicológica: às vezes, quando você se acha num mar de estresse e não vê como sair da situação, vale a pena ter tratamento psicológico para encarar os problemas de outra forma.

Não se sabotar: a gente tem atividades das quais gosta muito, como tevê, leitura, ficar com os animais de estimação, papear com os amigos, etc. Inclua um pouco disso no seu dia a dia. Ninguém agüenta viver de trabalho e preocupação, sabia?

Um grande abraço e até o próximo domingo,

Daniela Hueb
Médica, CRM-SP 96.027

Envie suas dúvidas para e-mail: danielahueb@jcnet.com.br

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