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25 mil pessoas compartilham corrente solidária

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 3 min

Vinicius Fernandes/Social Bauru
Juliana Chermont trava batalha com apoio do marido Rodrigo Tucunduva e do filho Lucas

Uma rede de solidariedade que já mobilizou pessoas em diversas cidades brasileiras e sensibilizou mais de 25 mil pessoas no Facebook é o combustível para a fisioterapeuta Juliana de Grava Chermont Tucunduva, 32 anos, superar um difícil momento de vida. Jovem, ativa, saudável, mãe de um menino de apenas um ano, ela se viu diante de um turbilhão ao ser diagnosticada com aplasia medular.

Rara, a doença altera o funcionamento da medula óssea, provocando falhas na produção de células que compõem o sangue, como as plaquetas. Como o tratamento mais eficaz é o transplante de medula, a família e amigos de Juliana estão mobilizados para encontrar um doador compatível.

Em apenas cinco dias, mais de 25 mil pessoas se tornaram membros do grupo “Doe amor, doe medula”, criado especialmente para fornecer informações e pedir a ajuda de pessoas dispostas a se cadastrar no Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea (Redome). Segundo o marido da fisioterapeuta, Rodrigo Tucunduva, 32 anos, amigos já se solidarizaram nos quatro cantos do País, como nas cidades de Curitiba (PR), Porto Alegre (RS), São Paulo (SP), Belo Horizonte (MG), Brasília (DF) e Goiânia (GO) – além de Bauru.

“As chances de compatibilidade são pequenas, mas cada pessoa que ajudou deu força para que a Ju continuasse lutando. Enquanto ela não encontra um doador, a probabilidade de outros pacientes encontrarem certamente vai sendo aumentada por toda esta mobilização”, observa.

Ele conta que a esposa era uma mulher saudável, com vida ativa, até descobrir as primeiras manchas no corpo, no final de abril deste ano. “Eram manchas bem escuras. Fomos a um dermatologista, que indicou um hematologista. Ele detectou que havia algo errado com a medula, mas não conseguiu fechar o diagnóstico correto”, lembra.

Descoberta

Em razão disso, o estado de saúde de Juliana só foi piorando com o decorrer dos dias. Em meados de maio, já bastante frágil e sem saber que seu organismo não produzia mais plaquetas em volume suficiente, ela precisou ser internada às pressas.

“As plaquetas chegaram a 5 mil (o patamar mínimo é de 150 mil por mililitro cúbico de sangue) e foi, então, que descobriram que a medula dela tinha parado de funcionar”, comenta Rodrigo. Por conta desta “falha”, Juliana precisa receber, semanalmente, transfusões para normalizar os níveis destas células sanguíneas.

“Um primo dela, que tem o mesmo tipo de sangue, está doando o necessário e ela consegue ter um nível razoável de qualidade de vida. Ela recebeu alta, mas segue em repouso absoluto, sem poder ter contato com muitas pessoas quando a imunidade do organismo baixa. Ela não tem condições nem de pegar nosso filho no colo. É difícil”, detalha o marido. Foi devido a esta fragilidade, inclusive, que a fisioterapeuta não pôde ter contato com a equipe de reportagem do Jornal da Cidade.

Busca e esperança...

Rodrigo Tucunduva afirma que a família está confiante em encontrar um doador compatível para o transplante de medula óssea. Além do Redome, segundo ele, as buscas são realizadas também em bancos internacionais, mas o processo pode levar tempo. “Não é possível precisar quanto. Tivemos contato com pacientes que tiveram o mesmo problema e que hoje estão bem. Um encontrou um doador depois de seis meses; outro, depois de um ano. Mas estamos esperançosos”, completa o marido de Juliana.

Como ajudar

Pessoas não cadastradas no Redome podem fazer a inscrição em qualquer hemonúcleo credenciado do Brasil. Em Bauru, o cadastro é feito no Hospital de Base, de segunda a sexta-feira, das 7h às 11h30 e das 13h às 16h. O hospital fica na rua Monsenhor Claro, 8-88.

É preciso levar RG e CPF, ter entre 18 e 55 anos de idade, estar bem alimentado, ter boa saúde e nunca ter feito tratamento com quimioterapia. Portadores do vírus HIV e de hepatite são contraindicados. A amostra cedida para o banco é de apenas cinco mililitros de sangue. A coleta de medula para transplante é feita somente se um receptor compatível for localizado.

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