Articulistas

Ainda dá tempo...

José Eugenio Chibebe
| Tempo de leitura: 3 min

Não nasci em Bauru, mas moro aqui desde 1980. Casei-me e constituí família, fui professor na escola Prof. Christino Cabral durante 25 anos, trabalhei 10 anos no Colégio São José, 5 anos na USC e há 15 anos sou diretor do CEEJA/CEESUB. Algumas destas atividades ocorreram em concomitância com outra, além de 3 candidaturas a vereador, a última em 2004. Estou com 65 anos de idade e acredito ter os requisitos para ser considerado cidadão bauruense.

Observando “de helicóptero” os movimentos dos políticos e das siglas partidárias com vistas às eleições municipais, resolvi me manifestar e lançar uma luz aos responsáveis pelas articulações e definições das candidaturas majoritárias e proporcionais. As informações que tenho são obtidas na coluna “Entrelinhas”, do Jornal da Cidade. Pelo que me consta e pelo calendário eleitoral, nada está definido, pois apenas as convenções oficializam as candidaturas, portanto... Infelizmente, o que tenho visto é que a maioria dos políticos está de cabeça baixa, olhando para os pés ou para o próprio umbigo, tentando viabilizar sua candidatura.

É necessário um choque de posturas e atitudes. Ergam as cabeças e, se não conseguirem olhar as estrelas, pelo menos se fixem na linha do horizonte. Construam, através das conversas, articulações e entendimentos um Projeto Político Administrativo de curto, médio e longo prazos para reconduzir a cidade ao lugar que ela merece. Para isso, é fundamental a organização de blocos políticos fortes e coesos, visando não apenas às eleições de 2016, mas também às candidaturas a deputado federal e deputado estadual de 2018... 2020... 2022... É inadmissível que uma cidade com mais de 200.000 eleitores, sede de uma região com cerca de 400.000 eleitores, não tenha pelo menos um representante na Câmara dos Deputados, além dos deputados que temos na Assembleia Legislativa.

As eleições de 2018 se iniciam agora. Proponho, pois, a formação de 3 ou 4 blocos político-partidários com 3 ou 4 candidaturas a prefeito e vice-prefeito, com as respectivas chapas de vereadores. Em 2018, cada bloco apresentará aos eleitores 1 candidato a deputado federal e 1 a deputado estadual e, assim, teríamos 3 ou 4 candidatos a deputado federal e 3 ou 4 a deputado estadual, todos com reais condições de serem eleitos. A coesão das candidaturas e o fortalecimento de um projeto coletivo dificultariam a entrada de paraquedistas, a pulverização dos votos e a consequente concentração dos nossos candidatos. O eleitor bauruense sabe votar e os políticos precisam evoluir e apresentar alternativas consistentes e promissoras.

Todos seriam vencedores: a população e os próprios políticos, pois os deputados eleitos poderiam “acomodar” os colaboradores em seus gabinetes e cargos comissionados na esfera federal e estadual. É a única alternativa para o desenvolvimento da cidade.

Está claro e cristalino para todos que, por melhor que seja, o prefeito eleito não terá condições de atender a todas as demandas contando apenas com os recursos municipais e repasses normais federais e estaduais. Terá que buscar recursos extras, e a moeda de troca é a representatividade política, isto é, quantos votos?

Veja o que acontece em outras cidades ou regiões, até de menor porte que Bauru: Araraquara, Presidente Prudente, Marília, São José do Rio Preto, Ribeirão Preto, Sorocaba etc... até São Manoel (com merecimento). Até quando?

Esta carta é para ser lida e analisada nas reuniões dos políticos que articulam as candidaturas. O momento é propício, considerando que “todos conversam com todos”. Esta carta também é para ser recortada e guardada... e daqui 20 anos poderá ser lida novamente... Para se lamentar ou se lastimar e chorar de cabeça baixa... ou se alegrar e comemorar olhando as estrelas. Aguardemos!

 

O autor é diretor do CEEJA Presidente Tancredo Neves - Bauru

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