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Gestão como diferencial

Reinaldo Cafeo
| Tempo de leitura: 3 min

Que as coisas não estão boas para ninguém é fato. Poucos setores empresariais estão conseguindo resultados positivos em seus negócios. Os trabalhadores lutam para manter seus empregos, sendo que boa parte destes já sofre com o desemprego. O setor público se vê com escassos recursos tendo que atender demandas de toda ordem. Neste contexto, o que pode fazer a diferença? A gestão, ou melhor, a boa gestão.


A boa gestão indica estabelecer estratégias que permitam fazer mais com menos. Nas empresas, os centros de custos devem ser a tônica do dia a dia. Quanto é gasto em cada rubrica e qual sua participação relativa no total das vendas é o ponto de partida. Em seguida, metas de redução “inteligente” devem ser fixadas. As metas “inteligentes” são aquelas seletivas. Pouca coisa será alcançada se o corte de gastos for linear.


Às vezes são atacadas as formigas, enquanto os elefantes continuam a circular livremente na empresa. Isso passa inclusive pela revisão das retiradas dos sócios, que precisam estar alinhados com a nova realidade de resultados da empresa. No tocante à equipe de profissionais, é o momento do jogo limpo. Demonstrar com clareza a real situação da empresa e quais os objetivos de curto, médio e longo prazos gera cumplicidade entre outros. Crie um comitê de crise. Qualquer ação mais firme, inclusive a eventual necessidade de dispensa de pessoal, este comitê deve analisar e avalizar. Isso minimiza o impacto negativo sobre a equipe. Com transparência tudo fica mais fácil.


No tocante à sua carreira, a gestão está ligada a como se manter no mercado de trabalho mais tempo e, caso perca o emprego, como se reposicionar rapidamente. Cursos de aperfeiçoamento são imprescindíveis. Também é preciso organizar as finanças do lar. Em momentos de apertos e de emprego escasso, boa saúde financeira familiar representa uma preocupação a menos. Todos os membros da família devem saber a real situação financeira da família e colaborarem para que as despesas sejam contidas.


É hora de gerenciar a carreira, observar riscos e oportunidades e estar preparado para os desafios. Já o setor público, além de conviver de escassos recursos, ainda tem que conviver com o que eu denomino de “olhar viciado”. Veem, mas não enxergam. Atribuem responsabilidade a má gestão à burocracia, as amarras da lei, enfim, encontram inúmeras desculpas, quando na verdade não atacam o que é preciso atacar. Pequenas manutenções não são programadas. Não se importam com a organização. Boa parte destes gestores não pratica a proatividade.


Na prática, não analisam os detalhes, tanto da melhoria do ambiente de trabalho como na aplicação dos recursos públicos. O resultado é que a população não recebe de volta o volume de recursos que canaliza ao setor público. Pode eventualmente faltar dinheiro, mas se tiver gestão, os problemas são minimizados.


Estes são alguns exemplos do quanto podemos e devemos fazer diante de tantas incertezas no mercado em que a tônica tem sido baixas vendas, baixa renda, arrecadação tributária e baixos resultados. Somente lamentar não irá nos remeter a um momento melhor. Se o ambiente político negativo contaminou a economia como um todo, o papel de cada de nós é fazer a diferença em seu campo de atuação. Entre lamentar e enfrentar os problemas entendo que a boa gestão ajuda a concluir que o enfrentamento é o caminho a ser trilhado.


O autor é economista e articulista do JC

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