Tribuna do Leitor

A educação em questão

Leda Fernandes Michellão (educadora)
| Tempo de leitura: 3 min

Não pretendo criar celeumas entre os leitores dessa tribuna, uma vez que cada um tem suas graduações, especialidades e opiniões. Quero apenas colocar meu modesto parecer, baseado nas minhas vivências e experiências no campo educacional, uma vez que o professor Carlos D’Incao, no dia 17 de maio, afirmou neste espaço que defende os valores marxistas  e que os outros que escreveram seriam reacionários.


Os valores marxistas me parecem não serem possíveis de serem aplicados em uma escola particular, já que na sua grande maioria  atende a alunos provenientes das classes socioeconômicas mais favorecidas, pois o marxismo não prevê sociedade de classes, tal qual acontece no Brasil. Por isso, os valores e conhecimentos são oriundos do escopo mais exclusivo daqueles que detêm o poder sócio/político/econômico é seguido como tendo extensão globalizante e sempre verdadeira.

As propostas das escolas não são neutras, podendo ser conservadora ou inovadora. Mas há uma mentalidade dominante (plenamente adequada a interesses discricionários)que não abre espaço para a relatividade histórica e deixa entrever a fatalidade de os destinos coletivos serem conduzidos apenas e unicamente por aqueles que têm acesso exclusivo ao mundo do saber.


Marxismo, pois, tem a ver com classes populares desfavorecidas social e economicamente no campo da educação. É uma ideologia que pede transformação da condição dos oprimidos e seria quase impossível aplicá-la numa sociedade de classes como a nossa, mas não custa tentar. A educação e a escola são os lugares nos quais podemos dizer e exercer mais fortemente o nosso não. Não à miséria, não à injustiça, não à contradição humano versus humano, não à ciência exclusivista, não ao poder opressor.


Voltando ao assunto do PT, partido que mantinha fortes ligações com os movimentos populares e que dava respaldo ao movimento dos educadores levando ao Parlamento suas propostas de mudanças dos rumos das políticas educacionais. No entanto, os primeiros movimentos do governo Lula em 2003 foram deixando claro que as linhas  básicas da ações governamentais, tanto no âmbito da política econômica como das políticas sociais, aí incluindo a política educacional, não seriam alteradas, mas seguiriam o mesmo espírito dos dois mandatos do FHC. Sem contar o drama atual do professor. No espírito da concepção neoprodutivista, os dirigentes querem que o professor exerça todo um conjunto de funções com o máximo de produtividade e o mínimo de dispêndio, isto é, com baixos salários


A escola pública vive hoje uma situação ímpar, pois enquanto Dilma prega na mídia Pátria Educadora e todos na escola, esqueceu de dizer que os alunos devem ter acesso, mas permanência e sucesso, caso contrário haverá exclusão social. Não é o que acontece nas escolas privadas, onde o conhecimento clássico é mais valorizado e leva seus alunos a patamares mais altos. Interessante foi a colocação em plenário do senador Magno Malta ressaltando a importância da educação no crescimento do país, investimentos na saúde que se encontra na UTI. Muito mais relevante do que a discussão sobre o afastamento de Dilma são os desdobramentos para a população brasileira que não tem direito a uma escola pública de qualidade e uma vida mais justa, humana e igualitária e que têm o direito de ser feliz. Essas são as vítimas do sistema, da estrutura e daqueles que enriquecem em cargos políticos, deixando a população à mercê do desemprego, da fome, das doenças e da exclusão social.

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