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De volta o tripé macroeconômico

Reinaldo Cafeo
| Tempo de leitura: 2 min

Em discurso de posse, o novo presidente do Banco Central do Brasil, Ilan Goldfajn, indicou que irá reintroduzir na matriz econômica brasileira o chamado tripé macroeconômico: meta de inflação, ajuste fiscal e câmbio flutuante. O antigo ministro da Fazenda Nelson Barbosa adotou a matriz econômica mais desenvolvimentista, o que representa afrouxamento nos gastos públicos e na política monetária. Nesta nova fase, como nova equipe econômica, naturalmente alinhada com o atual ministro da Fazenda Henrique Meirelles, os pilares da condução econômica que levaram o Brasil a atingir grau de investimento junto às agências internacionais de análise de risco serão retomados.


O que isso significa na prática? Que não haverá aventuras. A inflação desgarrou muito do centro da meta ainda em vigência. Em vez dos 4,5% ao ano, chegou a ultrapassar mais de 10%, ficando distante do limite máximo fixado pelo próprio governo federal, que é de 6,5% ao ano. Isso gera desequilíbrio importante e, o que é pior, descrédito total na equipe econômica. Neste quesito tudo indica que os instrumentos combinados de política fiscal e política monetária serão utilizados em sua plenitude.


Por sinal, o ajuste fiscal já é por si só um instrumento de controle inflacionário. Neste particular, o governo de Michel Temer aposta na fixação de limite de gastos. O máximo permitido seria a reposição da inflação no ano anterior, sendo que a intenção é que isso perdure pelo menos por 10 anos, revertendo a trajetória de aumento da dívida pública. Portanto, a política fiscal seria um importante aliado para resgate da confiança e de ataque às causas primárias da inflação.


Outro ponto importante é manter o câmbio flutuante. Evidentemente que todos sabem que a flutuação é “suja”, ou seja, o Banco Central intervirá no mercado quando lhe interessar, mas permitir que o mercado encontre o equilíbrio na taxa de câmbio protege as reservas cambiais, garante que o setor externo brasileiro encontre um caminho que não onere demasiadamente as importações e permita bom desempenho nas exportações. Se considerarmos que a expressão de ordem é “resgatar a credibilidade” reestabelecer novamente este tripé na condução da matriz econômica brasileira auxilia nesta questão.


Apesar de necessárias, parte das medidas não será de fácil aplicação. No âmbito do Banco Central as coisas são mais fáceis de conduzir, posto que dependem somente de sua atuação diária no mercado. O câmbio e as decisões de política monetária são ali conduzidas. Já o ajuste fiscal depende de negociação política, ou seja, aprovação do Congresso Nacional. Neste particular, o presidente Michel Temer não pode e não deve perder o timing. Quanto mais tempo passa, mais difícil será convencer os políticos, posto que muitos deles envolvidos em casos de corrupção. O jogo tem que ser jogado, e rápido. O País convive com indicadores econômicos se deteriorando e é imperativo que haja reversão de tendência. Recolocar a matriz macroeconômica no eixo que garantiu a estabilidade passada é um importante passo.


O autor é economista e articulista do JC

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