Ao ler nesta tribuna uma nova missiva do professor Henrique Perazzi classificando de visão turva os que criticavam o governo afastado e agora estão diante de algo terrível que é o governo interino do Temer, tenho a dizer: uma visão turva ainda pode enxergar algo, pior o cego que nada vê.
Essa tentativa patética de vitimização e jogar a culpa sempre nos outros mostra a falência do debate político no Brasil, que virou uma extensão da guerra insana das redes sociais. Sou contra o impedimento da Dilma, mas pelos motivos diferentes do professor, pois acredito que o povo deve, através das eleições, decidir o futuro do país e que impeachment não é solução para governo ruim. A Dilma não é uma criminosa e caiu pelo seu único acerto que foi deixar as investigações correrem, coisa que o próprio PT, na figura do Lula, que sempre quer bancar o tutor, tentou melar pedindo a saída do ex-ministro Zé Eduardo Cardoso, que é um homem decente e que ainda se dispõe a servir o país.
Não vi nenhuma missiva do professor criticando o “ajuste fiscal” e as retiradas de direitos dos trabalhadores pelo governo afastado, sim, porque todo esse processo já estava acontecendo pela traição ideológica do PT, afinal, quem foi que colocou o Temer de vice e toda essa trupe pilantra do PMDB?
Cadê a desculpa esfarrapada da tal governabilidade agora? Está aí o “grande” serviço prestado ao país. Quem foi que em troca de apoio entregou Furnas para a turma do Eduardo Cunha? Quem deu a vice-presidência da Caixa para o mesmo Cunha? E agora vem com essa de “lavo as mãos”?
Me causa estranheza ver que meu antigo professor e amigo se contradiz ao tentar justificar e defender sempre o partido que traiu a classe e se aliou com os de sempre, o mesmo partido que no passado o expulsou, agora retorna nos braços dos mesmos que fizeram a derrocada do PT.
Quero saber quando vamos discutir política econômica, industrial, ciência e tecnologia etc. O país está em frangalhos e não dá para esperar um minuto a mais para termos um real projeto de nação, com desenvolvimento pleno para benefício do povo trabalhador brasileiro. Sou mais novo que o professor Perazzi, mas não tão jovem para alimentar ilusões mais. Os quase 40 anos, e muitos vividos na militância política, não me permitem mais cair em discursos vazios e contraditórios com minha ideologia marxista, o que me faz um pouco descrente ao país, porque antes eu tinha que criticar apenas os inimigos e hoje me vejo tendo que criticar também os amigos.