| João Rosan/JCImagens |
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| Luiz Antônio Sabbag: “Não seremos irresponsáveis em deixar paciente morrer na porta do hospital” |
O número de pacientes que aguarda no Pronto-Socorro Central (PSC) e nas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) por uma vaga de internação em leito hospitalar voltou a crescer na última semana, em Bauru. Nessa segunda-feira (28), uma mulher de 52 anos morreu após aguardar transferência por dois dias na UPA do Núcleo Geisel (leia mais abaixo).
Em razão da dificuldade, o diretor do Departamento de Urgência e Emergência da Secretaria Municipal de Saúde, Luiz Antônio Sabbag, pretende convocar uma reunião para discutir os métodos de regulação da chamada “vaga zero”, quando, em função do grave quadro do paciente, a transferência é determinada pelo Estado mesmo que não haja mais leitos disponíveis nas unidades de retaguarda.
A intenção é que, do encontro, participem representantes do Departamento Regional de Saúde (DRS-6), vinculada à Secretaria de Estado da Saúde; da Fundação para o Desenvolvimento Médico e Hospitalar (Famesp), que administra os Hospitais de Base e Estadual; e do Ministério Público. Sabbag explica que, em muitos casos, apesar da liberação feita pela Central de Regulação de Vagas e Ofertas e Serviços de Saúde (Cross), os hospitais não possuem condições de receber o paciente, que, mesmo assim, deixa de ser considerado na fila de espera pelo serviço.
“Isso não resolve a situação. Não seremos irresponsáveis em deixar o paciente morrer na porta do hospital. Por isso, o município fez um acordo com os hospitais de só conduzir o usuário quando a unidade tiver uma maca ou leito vago, com estrutura disponível. Mas é um acordo informal. Precisamos conversar para mudar essa sistemática da Cross, que não funciona”, detalha.
Discrepância
O descompasso, já apontado em reportagens publicadas pelo JC, leva a discrepâncias entre a realidade apresentada pela rede municipal de saúde e pelo Estado. Segundo Sabbag, na semana passada, o número de pacientes na fila de espera na rede de urgência e emergência do município chegou a 60, incluindo crianças atendidas no Pronto Atendimento Infantil (PAI).
Na tarde dessa segunda-feira (27), ainda seriam 45 pessoas aguardando a liberação dos leitos. A Cross, contudo, contabilizava apenas 14 pacientes com solicitação de transferência para internação hospitalar, “nenhum há mais de 24 horas”, informou a Secretaria de Estado da Saúde, argumentando que “os números apresentados pelo portal do município (na Internet) são sempre imprecisos”.
A central afirmou, ainda, desconhecer qualquer tipo de “acordo” para não transferir pacientes regulados como “vaga zero” para o Base e o Estadual, procedimento que continuaria “ocorrendo normalmente”. Sabbag reitera que este acordo segue vigorando de maneira informal, mas que, até a semana retrasada, o volume de pacientes na fila era menor, entre 20 e 30 pessoas. “Não tivemos aumento na demanda por consultas na última semana. O que pode ter havido é um prolongamento do tempo de internação nos hospitais, com casos de pacientes com doenças respiratórias mais graves devido ao frio. Assim, a liberação de vagas se torna mais lenta”, considera.
Manoel de Abreu
Nos bastidores, o fechamento do Hospital Manoel de Abreu para reforma é apontado como uma das principais causas do aumento de pacientes à espera por vaga de internação em Bauru. Em março, Rose Lopes, membro do Conselho Municipal de Saúde e do Conselho Gestor do PSC, já havia utilizado este argumento ao avaliar a demanda represada nas unidades de urgência e emergência do município. A Secretaria de Estado da Saúde nega e alega que todo o volume de atendimento foi garantido com a ativação de 43 novos leitos nos hospitais de Base e Estadual. Na unidade desativada temporariamente, havia 41 leitos.
Mulher morre na fila de espera
Uma mulher de 52 anos morreu, no início da tarde dessa segunda (27), na UPA do Geisel, enquanto aguardava liberação de vaga de internação em um dos hospitais da cidade. Valdina Ricardo Garcia Pereira tinha um quadro grave de pneumonia e não resistiu.
Segundo o filho, Jefferson Ricardo Lopes, 29 anos, a mulher foi encaminhada à UPA nas primeiras horas do último sábado, com funcionamento precário dos dois pulmões.
Diante da demora para a liberação da vaga, no dia seguinte, a família obteve na Justiça uma liminar que obrigava o Estado a internar a paciente imediatamente. “Ela só conseguiu quando já estava em estado terminal e já era tarde demais”, conta Jefferson, revelando que a mãe tentava se recuperar da doença há cerca de quatro meses, com idas e vindas à rede de saúde. Por meio de nota, a Cross informou que a vaga foi disponibilizada no Hospital Estadual, mas não detalhou o dia e horário em que a liberação ocorreu.
| Arquivo Pessoal |
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| Acompanhada de Jefferson Lopes, Valdina Pereira ficou dois dias na UPA, antes de morrer |
Conselho de Saúde quer PS Central só para urgências
Rose Lopes afirmou que irá enviar, ainda nesta semana, proposta à administração municipal para interromper o atendimento ambulatorial no Pronto-Socorro Central (PSC). A intenção, já cogitada quando as UPAs foram instaladas no município, seria transformar o PSC em uma unidade de referência, que receberia somente pacientes encaminhados pelo Corpo de Bombeiros e Samu ou transferidos de outras unidades de urgência e emergência, quando o agravamento do quadro de saúde demandasse.
“Hoje, 70% do atendimento do PSC é ambulatorial, que poderia ser prestado tranquilamente pelas UPAs, desafogando o serviço de urgência no PSC e garantindo melhor qualidade no atendimento aos usuários. Gostaríamos de discutir esse assunto com a sociedade”, avalia.
| Quioshi Goto/JC Imagens |
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| Rose defende que serviço ambulatorial deveria ficar somente com as UPAs |
‘Inviável’
Segundo Luiz Antônio Sabbag, a mudança foi e continua sendo considerada inviável pela administração municipal, devido ao entendimento de que os moradores da região central da cidade não poderiam ficar desassistidos.
“A porta aberta mais próxima seria a UPA do Ipiranga ou do Bela Vista. Ficaria complicado. Somente quando tivermos recursos para construir uma UPA no Centro poderemos pensar nesta possibilidade. Mas, por enquanto, devido ao atual cenário econômico, é algo fora de cogitação”, pondera o diretor do Departamento de Urgência e Emergência.


