Tenho insistido neste tema, pois entendo que enquanto não o País não derrubar a inflação para que ela fique próxima à meta de 4,5% ao ano, as amarras na economia continuarão. Em recente entrevista coletiva, o atual presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, indicou que esta meta será perseguida em sua gestão, juntamente com o ministro da Fazenda Henrique Meirelles. O que isso significa? Que os instrumentos de política econômica necessários para que a inflação caia serão utilizados em sua plenitude.
Do lado do Banco Central, a política monetária será restritiva. Juros elevados, rigidez na concessão de crédito, são exemplos do que podemos esperar até que a inflação atinja o patamar desejado. Do lado do Ministério da Fazenda, a implementação de política fiscal austera. Neste particular, sem elevar a carga tributária, seria repudiada pela sociedade brasileira, o controle dos gastos terá ser mais rigoroso. As questões estruturantes dependerão de boa articulação com o Congresso Nacional. Considerando as recentes conquistas do governo Temer, como a aprovação do déficit das contas públicas de R$ 170,5 bilhões para este ano e ainda a também aprovação do DRU – Desvinculação das Receitas da União, o indicativo é que a coisa ande. Evidentemente que questões como a Previdência não serão facilmente equacionadas, mas o ambiente é favorável.
Outro instrumento que pode auxiliar na queda da inflação é a política cambial. O mercado vem testando diariamente o Banco Central no tocante ao piso para a cotação do dólar comercial. A equipe econômica anterior, comandada por Nelson Barbosa, com ação do Banco Central, indicava o valor de R$ 3,40. Contudo, ao atingir o mínimo de R$ 3,30 nesta semana, a avaliação é que a atual gestão do Banco Central quer mesmo utilizar este instrumento em favor do controle inflacionário.
Observem que a combinação das políticas podem sim trazer a inflação para os níveis desejáveis. O grande desafio é minimizar os efeitos colaterais desta combinação. Política monetária austera desestimula o consumo. Política de contenção de gastos não movimenta a economia, câmbio em queda desestimula as exportações. Efeito previsto: menor crescimento econômico. O que pode evitar um efeito pior para os indicadores que medem o nível de atividade econômica, principalmente a elevação do desemprego, é a leitura de que ações firmes na aplicação dos instrumentos de política econômica resgatarão a confiança interna e externa, portanto, se o País não crescer economicamente, pelo menos parará de piorar.
Talvez aí esteja a aposta do atual governo: reversão de tendência. O que fica claro é que com inflação anual próxima aos dois dígitos tudo que for feito no sentido de movimentar a economia trará somente efeitos de curto prazo. Ou efetivamente derrubamos a inflação e estruturalmente a mantemos baixa, ou seremos sempre o País do voo da galinha. É um longo caminho, mas tem de ser trilhado.
O autor é economista, articulista do JC