Às vezes ficamos a nos perguntar: como é possível que a esmagadora maioria do povo brasileiro seja tão ignorante e, por conseguinte, fácil de ser enganada por aqueles que se acham no poder. Quando o Brasil foi eleito país sede da Copa do Mundo de Futebol de 2014, houve festas, comemorações pelas ruas, e muita alegria por parte daqueles que não enxergam um palmo além do nariz. Os políticos sorriam, dizendo-se à socapa: “Temos mais uma fonte para encher nossos bolsos”. Não deu outra. Estádios caríssimos, com tecnologia e status de primeiro mundo e, obviamente, com materiais superfaturados, foram construídos em várias capitais.
Estádios, orçados a princípio em determinados valores, tiveram acréscimo de até duzentos por cento, relativamente ao custo inicial. As luxuosas arenas fizeram tremendo sucesso, mostrando ao mundo que o Brasil é desenvolvido e tem capacidade para altos gastos – o que é uma deslavada mentira - equiparando seus estádios aos mais belos e confortáveis do mundo. A copa acabou.
O Rio de Janeiro perdeu seus status de ter o maior estádio do mundo, tanto é que, por não poder acolher o número de torcedores exigido por um clássico, e pela alta taxa de administração cobrada pela empresa que exerce essa atividade, o carioca, se quiser assistir a um clássico, tem que se deslocar para Brasília, Natal, Manaus, Goiânia, Juiz de Fora ou outra localidade.
Um estádio, que eu já vi com cento e cinquenta e quatro mil pessoas, (semifinal do Campeonato Brasileiro de 1976 entre Corinthians e Fluminense, em 5 de dezembro de 1976), reduzido a uma mísera capacidade de setenta e cinco mil, obviamente não pode receber, por exemplo, um Flamengo e Vasco. É claro que essa absurda fortuna para construção dessas magníficas arenas foi tirada da educação, moradia, transporte, boas estradas, saúde, e outros setores prioritários ao bem-estar do trabalhador.
Quando do sorteio em Berna, Suíça, foi gritado ‘Riô de Janerô’, para sediar as Olimpíadas de 2016, pasmem, a alegria foi geral. Todo o Brasil comemorou. O que ocorre agora: os estados, particularmente o Rio de Janeiro, afundado em uma dívida impagável, com desemprego crescente, gastando, não se sabe como, bilhões para a construção da Vila Olímpica e outras acomodações de luxo, para mostrar novamente a mentira e a desfaçatez de nossos políticos ao mundo. E o povo aplaudindo.
Nesse mesmo estado, um metrô, que seria construído para facilitar a chegada de turistas aos jogos Olímpicos e cuja construção estava orçada em trezendos e noventa milhões de reais, já está em mais de R$ 8 bilhões! Isto é, vinte e uma vezes o custo inicial. Houve roubo? Como agravante, talvez essa linha não fique pronta até as Olimpíadas. Mas durante os festejos vai ser uma festa muito bonita, e o povo voltará a aplaudir.
A nossa prefeitura, através de seus porta-vozes, apregoa aos quatro ventos que não tem dinheiro para resolver vários problemas da cidade, ainda que prioritários. Entre eles, que são muitos, podemos destacar: péssimo atendimento médico em qualquer unidade de saúde municipal; vazamento de água nas redes do DAE por toda a cidade sem que vejamos solução a curto prazo; buracos na via pública por toda a cidade, inclusive em ruas de grande movimento e perto de escolas, sem que uma providência eficaz seja tomada por aqueles a quem essa obrigação compete. E quando é tomada o que acontece: chegaria a ser hilariante, se fosse ridículo: o péssimo serviço feito pelo departamento altamente incompetente, responsável por esse setor, é realizado de uma maneira tão ridícula, inconsequente, irresponsável, que quinze dias depois de realizado, o afalto abaúla, e o carro dá aquele costumeiro solavanco, e ninguém volta lá para reparar a vergonha do serviço que foi feito.
Criem vergonha na cara, senhores responsáveis por esse serviço, e façam um serviço digno do salário que vocês ganham e do cargo que ocupam! Por certo irão responder aquilo de sempre: o solo de Bauru é arenoso e cede com muita facilidade, prejudicando o serviço feito. Acontece, senhores, que o material que vocês usam é de péssima qualidade, e a competência de quem faz também é bastante discutível. A Rodovia Marechal Rondon passa por dentro de Bauru, portanto assentada sobre o mesmo solo, e não tem abaulamento de asfalto. Trata-se de irresponsabilidade administrativa. Falta de determinação. Falta de respeito para com o cidadão que paga seus impostos em dia. Acomodação de políticos que só sabem prometer, e não realizam absolutamente nada!
Por exemplo: apareceu dinheiro para as Escolas de Samba desfilarem no carnaval, como se isso fosse imperioso. Apareceu dinheiro para trazer um avião velho, desatualizado, obsoleto e arcaico, sem nenhuma utilidade prática, sem significado nenhum, do Rio de Janeiro até aqui para ficar exposto, como se aquilo fosse resolver algum problema urgente e inadiável da sociedade.
Apareceu dinheiro para a construção de uma tal pista de skate, que até agora só serviu para vândalos e desocupados mostrarem suas qualidades. Apareceu dinheiro para embelezarem (não para reformarem) a Praça do Fumo, também conhecida como Rui Barbosa. Frota de caminhões coletores de lixo sucateada...
Só não aparece dinheiro para as coisas de que a cidade realmente precisa. Mas o povo, que gosta de pão e circo, vai vibrar muito com a passagem da Tocha Olímpica por Bauru, como se isso fosse resolver todos os problemas cruciais que enfrentamos, e, tenham certeza, os políticos que se acovardam diante das exigências dos problemas prementes da sociedade, e do cumprimento de suas mais elementares obrigações, estarão lá para aparecerem na televisão e nos jornais, sendo ovacionados pelos seus “heroísmos” por aqueles que, por incrível que parece, mais necessitam.
A sociedade, algemada, não tem como lutar contra a corrupção, pois ela impera entre as altas classes sociais e políticas, e contra elas nada se pode. Necessitamos de leis severas que punam rigorosamente a todos e não privilegiem ninguém, colocando na cadeia esses irresponsáveis e traidores - que só servem para apregoar mentiras e mais mentiras - da confiança de um povo trabalhador, ordeiro e inconsciente de seu poder.