| Douglas Reis |
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| Alvo de polêmica, a arborização da praça Rui Barbosa é considerada adequada, diz Luiz Nogueira, da Semma: agora, próximo passo será de atuação ambiental mais abrangente pelas imediações |
Para chegar a uma situação considerada como “ideal”, o Centro de Bauru precisaria ter mais 100 árvores plantadas. O déficit, constatado após levantamento da Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma), além de prejudicar a arborização, transforma o local numa espécie de “Ilha do Calor”, podendo deixar o ambiente até 3 graus mais quente, conforme explica o engenheiro agrônomo da pasta, Luiz Fernando Nogueira Silva.
Com o objetivo de reverter o quadro, a autarquia realizará, a partir deste mês de julho, o plantio de 85 mudas na extensão que compreende a avenida Rodrigues Alves (da praça Machado de Mello até a quadra 9) e a rua Primeiro de Agosto (da Estação Ferroviária até a praça Rui Barbosa), incluindo as ruas transversais desse trecho – o Calçadão, não.
A iniciativa, que será realizada em parceria com o Projeto Fruto Urbano, recebeu elogios de alguns comerciantes e críticas da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL). Nogueira reconhece que há resistência por parte da população.
“Existe um paradigma que as árvores trazem mais prejuízos do que benefícios em razão da queda de folhas, pelo fato de vedar a fachada de lojas ou estragar as calçadas”, exemplifica. Esta é justamente a visão do presidente da CDL, Aldemiro José Alves.
“Daqui uns anos, a espécie irá crescer e tapar a fachada, o que compromete as vendas, pois o cliente precisa enxergar o estabelecimento para que haja o interesse de entrar”, ressalta.
Em razão do repúdio de alguns, técnicos da Semma estão percorrendo a região central para esclarecer aos comerciantes a importância do trabalho.
“A calçada é pública e existe um comprometimento do município com os moradores. O desejo particular não pode se sobrepor à necessidade da cidade”, diz Nogueira.
Espécies
O trabalho de plantio começa em julho, mas não há estimativa de término. Serão plantadas ao menos quatro espécies diferentes: Mirindiba-rosa, Quaresmeiras, Siraricito e Ipês (amarelo, branco e rosa).
As árvores são de pequeno porte, que chegam a 5 metros de altura na vida adulta, e de médio porte, alcançando até 6 metros. De acordo Nogueira, além da beleza, a arborização diminui em até três graus a temperatura ambiente.
“Árvores realizam evapotrasnposição, que é o movimento da água dentro de uma planta e consequente perda da mesma para a atmosfera, o que deixa o ambiente úmido e mais saudável”, detalha. Ele ressalta que, mais para frente, pretende-se realizar outra etapa da ação, para atingir o número de 100 árvores no Centro.
‘Aqui está precisando’
A reportagem conversou com três comerciantes com atuação no Centro. “Aqui está precisando de árvores, pois é muito abafado”, avalia Adriano Bertone, dono de uma lanchonete na quadra 7 da rua Primeiro de Agosto.
No mesmo quarteirão, o proprietário de uma loja de calçados, Edvaldo Scudilio, diz o mesmo. “Já tinha que ter feito isso há muito tempo”. Já o comerciante Flávio Antônio da Silva, que tem um bar na quadra 9 da avenida Rodrigues Alves, também é a favor da arborização, mas aponta um problema recorrente: o do vandalismo. “Planta-se hoje, arrancam amanhã”.
Luiz Nogueira Silva, da Semma, garante que será feita manutenção após o plantio. “Vamos repor [as árvores] na medida do possível”. Alvo de polêmica, a arborização da praça Rui Barbosa é considerada adequada, diz Nogueira.
| Fotos: Douglas Reis |
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| Os comerciantes Adriano Bertone, Edvaldo Aparecido Scudilio e Flávio Antonio da Silva: vandalismo é temor |



