Trabalhadores sem-terra ligados à Frente Nacional de Luta Campo e Cidade (FNL) deixaram área na Vila Industrial nesta terça-feira (5), após liminar expedida pela 3.ª Vara Cível de Bauru determinar a reintegração de posse do imóvel. De acordo com o líder do movimento, Ricardo Rodrigues, 640 famílias estavam no local há cerca de três meses.
No entanto, o grupo permanecerá no município. “Parte de nós irá para a Fazenda São Leopoldo (às margens de estrada próximo do Aeroporto Moussa Tobias), onde tem 120 famílias, e outra parte ficará na Fazenda Santo Antônio (Bauru-Iacanga), que foi desocupada recentemente, mas vamos entrar novamente”, observa.
De acordo com Thiago César Maldonado Bueno, que é advogado do proprietário do terreno desocupado ontem, já existe um contrato para projeto do programa federal Minha Casa Minha Vida na área, de 280 mil metros quadrados. “Irá contemplar mais de 1.500 unidades habitacionais”.
A reintegração de posse contou com apoio da Secretaria do Bem-Estar Social (Sebes), Conselho Tutelar, Corpo de Bombeiros e PM. “Ocorreu de forma pacífica”, disse o capitão PM Rodrigo de Ângelo.
Líder do grupo sem-terra, Ricardo Rodrigues disse à reportagem que vai contestar a liminar, uma vez que, segundo ele, o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) teria interesse em adquirir o terreno, na quadra 7 da rua Waldemar Guimarães Ferreira, para reforma agrária.
O órgão, entretanto, nega a informação. “Com relação à área localizada na Vila Industrial, em Bauru, não houve por parte do Incra nenhuma manifestação de interesse na aquisição. A reunião ocorrida no dia 14 de junho, com a presença do presidente Leonardo Góes, tratou de pautas referentes à reforma agrária no Estado de São Paulo e, em especial, do caso da Fazenda Santo Antônio. A área em questão não entrou em discussão”, aponta o Incra, em nota emitida pela assessoria de comunicação.