O Palácio do Planalto atuou ontem para esvaziar a candidatura do deputado Marcelo Castro (PMDB-PI) e deixar a disputa da presidência da Câmara no segundo turno entre aliados do governo. Apesar de integrar o mesmo partido do presidente em exercício Michel Temer, Castro votou contra o impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff e tentou viabilizar sua candidatura tendo como base partidos de oposição, como PT, PDT e PCdoB.
Durante o dia, o governo trabalhou para fortalecer os dois principais grupos da base. Tentou unificar o Centrão em torno do líder do PSD, Rogério Rosso (DF), e ajudar a candidatura de Rodrigo Maia (DEM-RJ), da “antiga oposição” formada por PSDB, DEM, PPS e PSB. O primeiro turno teve 13 candidaturas. Mas, como nenhum candidato alcançou mais de 257 votos, a votação foi para o segundo turno. A disputa foi entre Rodrigo Maia (DEM-RJ), que teve 120 votos, e Rogério Rosso (PSD-DF), que teve 106 votos (veja quadro).
Apesar do discurso oficial de que não iria interferir, Temer incumbiu os ministros da Casa Civil, Eliseu Padilha, e da Secretaria de Governo, Geddel Vieira Lima, além do secretário executivo do Programa de Parcerias de Investimentos, Moreira Franco (sogro de Maia), de negociar com os deputados.
Em conversas reservadas, parlamentares afirmam que até promessas de nomeação para o Ministério do Turismo - antiga reivindicação do PMDB de Minas - e para cargos em diretorias de empresas do setor elétrico, como Furnas e Chesf, teriam entrado na lista de ofertas.
Articulações
O primeiro movimento para desidratar a candidatura de Castro ocorreu logo pela manhã, quando a bancada do PSDB, a terceira maior, anunciou apoio a Maia. “A decisão de apoiar Maia foi unânime”, afirmou o líder Antônio Imbassahy (BA). Em movimento simultâneo, Júlio Delgado (PSB-MG) retirou sua candidatura. Na sequência, os líderes dos quatro partidos da antiga oposição anunciaram apoio a Maia, totalizando 117 deputados.
Segundo Paulo Foletto (PSB-ES), a candidatura de Rosso é ligada ao ex-presidente e deputado afastado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que renunciou ao comando da Casa. Ele disse que a candidatura de Castro é ligada ao governo Dilma.
Em outra frente, o governo tentou unificar o Centrão. Com oito candidatos na véspera, o primeiro a desistir foi um dos que poderiam tirar votos de Rosso, Beto Mansur (PRB-SP).
O governo atuou até dentro do PMDB. Nos cálculos, no fim do dia, Castro já não tinha a maioria dos 66 votos.
Maranhão se despede
Ao abrir a sessão, o presidente interino, Waldir Maranhão (PP-MA), fez um discurso de despedida. Em sua fala, Maranhão assumiu que cometeu erros, mas disse que a sua atuação também mudou os rumos do País.
Com a escolha do sucessor do deputado afastado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), o parlamentar reassume a vice-presidência da Casa até fevereiro do ano que vem.