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Sindicato teme desmonte do Centrinho; superintendência nega

Cinthia Milanez
| Tempo de leitura: 4 min

Samantha Ciuffa
Nely Wada, Claudia Carrer, Mariana Araújo Gomes e Ricardo Pimentel criticam a atual situação

O Sindicato dos Trabalhadores da USP (Sintusp) alega que o Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais (HRAC) da USP, o Centrinho, em Bauru, está passando por um desmonte. Segundo a entidade, o órgão já chegou a aceitar 24 novos casos por semana e, desde o início da nova gestão, em janeiro deste ano, são apenas quatro. Já a superintendência nega e fala em regulação do atendimento (leia mais abaixo).

Uma das diretoras do sindicato, Nely Wada afirma que nenhum reitor fez tantas intervenções administrativas quanto o atual. “Em 2014, descobrimos que ele queria desvincular o Centrinho e o Hospital Universitário (HU), em São Paulo, da universidade, com o intuito de desonerá-la.

Simultaneamente, anunciou a criação da Faculdade de Medicina em Bauru. Não temos nada contra, pelo contrário, só que ele não deveria acabar com o Centrinho”, argumenta.

Nely frisa, ainda, que o reitor fez uma intervenção considerada, por ela, ilegal. A antiga superintendente, Regina Célia Bortoleto Amantini, foi substituída por Maria Aparecida de Andrade Moreira Machado em janeiro deste ano. “Contudo, conforme consta no artigo 12 do regimento do hospital, compete ao Conselho Deliberativo escolher três nomes para exercer a superintendência e, destes, o reitor seleciona um. Só que isso não foi feito”, defende.

Nely acredita que essa foi uma manobra para provocar o desmonte do Centrinho, porque a atual superintendente seria a favor da desvinculação. “Além disso, quando a Maria Aparecida assumiu, ela anunciou que o hospital mudaria a filosofia. Os pacientes teriam de fazer por merecer o atendimento prestado, ou seja, aqueles que faltassem, por exemplo, não seriam atendidos. Mas a verba é do SUS, não dá para negar atendimento”, diz.

Atendimento

O Sintusp alega que a superintendência fala em reduzir a fila de pacientes. “Antes, tínhamos 12 cadeiras de ortodontia. Agora, são cinco. Na prótese, das oito cadeiras, restaram apenas seis. Houve o fechamento do agendamento de um otorrino, que pediu demissão e nada de contratar outro. A nova gestão falou, ainda, em atender apenas pacientes do Estado de São Paulo. Além de tudo, estamos sem itens básicos, como lâmpadas e papel.”, pontua.

Nely narra que até a alimentação dos pacientes internados sofreu mudanças. “Aqueles que têm dietas específicas tiveram o jantar padronizado com o dos demais”, denuncia. Essas alterações, segundo a diretora do sindicato, estão sendo tomadas sem consultar funcionários, pacientes, enfim, a comunidade em geral. “Sem pacientes, não há pesquisa. Sem ela, não temos inovação e corremos o risco de ficar defasados”, relata.

Além disso, os funcionários administrativos tiveram seu horário padronizado. “É algo ruim, porque precisamos de alguns setores que param na hora do almoço e não há como tocar sem eles”, afirma. A diretora do Sintusp denuncia, ainda, a falta de transparência da universidade. “A reitoria transpôs uma verba de quase R$ 20 milhões do Centrinho para sua conta, a título de ressarcimento de despesas do ano passado, mas que despesas foram essas?”, questiona Nely Wada.

Superintendência nega desmanche

Questionado sobre o temor do Sintusp, o superintendente substituto do Centrinho, Carlos Ferreira dos Santos, nega que esteja havendo desmonte no hospital, mas reconhece a queda do atendimento, devido à demissão de alguns funcionários e a aposentadoria de outros. Ele alega, ainda, que a nomeação de Maria Aparecida de Andrade Moreira Machado não foi ilegal, porque a reitoria “é a autoridade máxima da universidade e tem prerrogativa para tanto”.

Quanto à mudança da filosofia do hospital, Santos afirma que o objetivo é conscientizar os pacientes sobre seus direitos e deveres. “Estamos em um processo de estabelecer regras”, diz. Outro ponto defendido pelo superintendente diz respeito à necessidade de regulação do atendimento. “Existem muitas portas de entrada. O objetivo é que 100% dos agendamentos sejam feitos através do DRS-6 (Departamento Regional de Saúde)”.

Santos nega, ainda, a denúncia de que o Centrinho só esteja atendendo pessoas do Estado de São Paulo e desconhece que haja falta de itens básicos. Sobre a alimentação dos pacientes internados, o superintendente frisa que houve, de fato, padronização, mas os nutricionistas foram consultados e “aqueles que precisam de dieta especial estão recebendo”.

Em relação ao expediente administrativo, ele foi padronizado, porque “a gente tinha setor com 11 funcionários e cada um fazia um horário diferente”. Todas as alterações da nova gestão, segundo Santos, estão sendo discutidas junto aos setores e ao Conselho Universitário. Sobre a possível falta de transparência, o superintendente diz que isso não procede. “A verba saiu do Centrinho para atender as necessidades da USP, que enfrenta uma situação difícil, mas os informes são lançados e também temos o Portal da Transparência em nosso site”, finaliza.

Queda das vendas no entorno

Tem muito comerciante nos arredores do Centrinho que sobrevive graças aos pacientes e suas famílias. Alguns deles, inclusive, alegam que as vendas chegaram a cair 60% de um ano para outro, não só por causa da crise econômica, mas também pela redução do atendimento.

Dona de um restaurante em frente ao hospital, Sandra Cristina Carvalho, de 46 anos, teve de dispensar funcionários e fechar uma pousada, que atendia as pessoas vindas de fora. Luís Antônio Vieira, de 54 anos, proprietário de um trailer de lanches que fica em frente ao restaurante de Sandra, também teve de mandar um trabalhador embora. 

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