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Pai denuncia que filho foi chamado de "macaquinho"

Marcus Liborio
| Tempo de leitura: 2 min

Um menino de 3 anos teria sido chamado de “macaquinho” ao pedir uma banana a um feirante, em espaço destinado à comercialização de frutas e verduras localizado na Vila Universitária, em Bauru. O episódio ocorreu na semana passada, mas o pai da criança só registrou a ocorrência nesta quinta, após o filho questioná-lo, por diversas vezes, sobre o porquê de ele ter sido comparado a um animal. Ao JC, o comerciante, de 72 anos, negou a acusação. 

Desempregado há dois meses, o eletricista, de 43 anos, contou que foi ao local com a esposa e o filho, que são negros (as identidades foram preservadas para não constranger as vítimas), na expectativa de conseguir a doação de alimentos. “Depois das 10h, os feirantes costumam dar as frutas que sobram. Quando a gente passou na frente do box desse senhor, meu menino pediu uma banana. Ele esticou a mão e falou: ‘toma a banana, macaquinho’”, detalhou. 

Os pais do menino ficaram indignados com a atitude, questionaram o feirante e pediram para que ele repetisse o que havia dito ao filho, quando lhe entregou a fruta. O homem, segundo relato do pai, ainda teria repetido o insulto por mais duas vezes. “É a primeira vez que passo por este tipo de situação humilhante. Foi um susto. Não se diz uma coisa dessas a ninguém, muito menos a uma criança”, critica. 

Indignação

De acordo com o genitor do menino, o filho teria mudado o comportamento depois de ter sido comparado a um macaco. “Ele ficou contrariado. Por três dias, me perguntou por que o homem da banana havia chamado ele de ‘macaquinho’. Fiquei tão indignado que revolvi procurar a Polícia Civil para registrar um boletim de ocorrência”, contou o eletricista, que mora com a esposa e os três filhos no Jardim Bela Vista. 

‘Jamais diria isso’

Ontem, a reportagem do JC questionou o feirante sobre o episódio, mas ele negou a acusação, dizendo que não se recorda de ter doado banana a um casal com criança pequena nos últimos dias. “Esse fato nunca existiu. Eu jamais diria isso a uma pessoa negra, muito menos a um menino de apenas 3 anos”, defende-se. 

O caso foi registrado como injúria e a vítima tem seis meses para representação da ocorrência. “Vou atrás dos meus direitos. Levarei a acusação adiante”, finaliza o pai do menino. 

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