Tribuna do Leitor

O vendedor de cosméticos

Lázaro Carneiro
| Tempo de leitura: 1 min

A contínua exposição ao sol por quase 70 anos, o tempo e seus efeitos sobre minha pele me levaram a um consultório, pois já estava convencido de que deveria consultar um médico especialista em doenças da pele, então procurei um dermatologista. Após uma rápida pesquisa, telefonei e agendei a visita a uma clínica. No dia e hora marcada me apresentei a ampla sala de espera e me dirigi ao balcão de atendimento, paguei a consulta e aguardei ser anunciado. Sem grande demora, o médico abriu a porta do consultório e pronunciou meu nome, dirigi-me até ele que, de forma automática e fria, mesmo antes de sentarmos, já me perguntou qual era o meu problema.

Mal comecei a falar, ele já me disse que eu não tinha câncer de pele e que apenas precisava usar uns cremes para fazer uma limpeza na pele e, virando seu computador, me passou a mostrar o efeito dos cremes em outros pacientes. Me passou uma receita com cremes para ser usado pela manhã, outro durante o dia, outro à noite, anti-inflamatório e analgésico, pois poderia doer um pouco. Não tive duvidas que se tratava de um vendedor de cosméticos, só não perguntei se ele trabalhava para Natura, Avon ou Jequiti. Quanto à receita, eu nem me lembro onde deixei.

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