Nacional

Maia é pressionado para marcar sessão sobre Eduardo Cunha

Por Igor Gadelha | Estadão Conteúdo
| Tempo de leitura: 2 min

A leitura em plenário do parecer do Conselho de Ética pela cassação do deputado afastado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) fez líderes da atual e da antiga oposição aumentarem nesta segunda-feira (8) a pressão para que o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), marque a votação definitiva. Maia evitou cravar um dia e disse que só tratará do assunto com os líderes na quarta-feira.

Nesta segunda, embora Maia estivesse na Casa, coube ao deputado Hildo Rocha (PMDB-RJ), que sequer é membro da Mesa Diretora, fazer a leitura do parecer pela cassação de Cunha. Com a leitura, feita em meio a um plenário esvaziado, o pedido entra como prioridade na pauta de votações em até duas sessões ordinárias. A prioridade, no entanto, não obriga que seja votado.

Logo após a leitura, os líderes da Rede, Alessandro Molon (RJ), e do PPS, Rubens Bueno (PR), foram até o gabinete do presidente da Câmara cobrar uma definição da data da votação. "Ele ficou de dar uma data até quarta-feira. Ele disse que ninguém ia embora (de Brasília) sem saber a data", afirmou Molon, que defende o julgamento de Cunha em plenário já na sessão de quarta.

O líder do PSOL, Ivan Valente (SP), também cobrou a definição da votação e acusou Maia de protelação. "O Rodrigo Maia está inventando um álibi para jogar a votação de Eduardo Cunha para depois do impeachment (da presidente afastada Dilma Rousseff)."

O presidente da Câmara evitou comentar o assunto. "Os prazos regimentais serão respeitados, e a partir daí a data será marcada", disse ele, em rápida entrevista. Na semana passada, Maia já afirmou que só trataria da cassação de Cunha após a votação do projeto de renegociação da dívida dos Estados com a União, prevista para hoje.

Articulação

Aliados de Cunha e interlocutores do Planalto na Câmara consideram inevitável a cassação do peemedebista, mas trabalham para que a votação do caso no plenário só ocorra após o impeachment. O temor é de que o deputado afastado dispare contra o governo Michel Temer como retaliação por ter sido cassado, prejudicando o processo.

Membro da tropa de choque de Cunha, o deputado Carlos Marun (PMDB-MS) defende que a votação só ocorra após as eleições municipais. Para ele, isso aumentaria as chances de Cunha se salvar. "Se fosse voto secreto, ele não seria cassado."

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