Tribuna do Leitor

Pelo jeito, ninguém aprendeu nada

Antonio Carlos Azevedo dos Santos
| Tempo de leitura: 2 min

Está garantido que vai errar sempre, quem disser que “o grande problema do Brasil” é este ou aquele, por mais tenebroso que seja. O Brasil, sendo o Brasil, não trabalha com esta mercadoria - “o grande problema”. Não há por aqui a possibilidade prática de separar uma calamidade bem definida ou mesmo duas, três ou meia dúzia que consigam ficar claramente acima de todas as demais em matéria de perversidade em estado puro. São tantas, e de índole tão ruim, que nossos melhores esforços para escolher uma prioridade capaz de inserir o Brasil no mundo desenvolvido, caso existissem, dariam bem pouco resultado no mundo das coisas reais.

Em certos momentos, porém, um desses “grandes problemas” que impedem o Brasil de ir adiante como deveria é exposto de maneira realmente espetacular, em plena luz do meio dia - e em tais momentos é apenas lógico, além de humano, que a calamidade exibida na frente de todos chame mais atenção que quaisquer outras.

É o caso, justo agora, da Olimpíada do Rio de Janeiro. É de fato um fenômeno, não há nada parecido com as obras públicas brasileiras. Quase nunca ficam prontas no prazo, com a qualidade e no preço que foram escritos no contrato - ou pior ainda, como ocorre com alta frequência, não ficam prontas nunca. Vide aqui em Bauru, o elevado que liga a av. Nuno de Assis com a Vila Falcão, os emissários do esgoto (DAE) e etc. Há as que não podem ser usadas depois de entregues, que foi o caso da pista de skate aqui em Bauru, que simplesmente desabam. Há as que não servem para nada, como hospitais sem equipamento, açudes sem água, etc. São nossas obras. São obras nossas, pagas com os nossos impostos. Mas o fato é que o Brasil mostrou mais uma vez, diante do mundo inteiro, no caso as Olimpíadas do Rio 2016, o relacionamento doentio que existe entre governos, construtoras de obras, bancos estatais, políticos, partidos e mais um monte de gente com carteirinha de autoridade na hora de construir qualquer obra pública - nada, simplesmente nada, é normal quando eles se juntam, tudo fica diferente - o poder público aceita qualquer absurdo em matéria de atraso, estouro no orçamento, qualidade da construção e por aí vai. E quem paga por tudo isso? O contribuinte de impostos, a quem não se permite um minuto de atraso na hora de pagar, e quem paga mais são justamente aqueles a quem o dinheiro faz mais falta.

A Olimpíada chegou no exato momento em que os processos de Curitiba expõem a corrupção e a inépcia sem freio que marcaram nos últimos treze anos de governo do PT a contratação de obras e a compra de equipamentos públicos no Brasil. As ocorrências no início das Olimpíadas do Rio 2016 e o que está por vir de prejuízo mostraram que “pelo jeito, ninguém aprendeu nada”.

 

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