Confesso que não entendi como funciona o Pokémon Go. Meu enteado tentou me explicar, em vão, minha cabeça ainda está nos anos 80, século passado, época do Atari. Adorava o Pac Man. Quem não? Aliás, por falarmos em Atari e anos 80, naquela época tínhamos poucas opções de consumo. Morava em Imperatriz, no MA, e recordo-me de duas ou três marcas de refrigerante, Coca-Cola, um cor de rosa chamado guaraná Jesus e o River, uma produção local. Biscoito ou você comprava da Tostines ou rosquinhas de coco. Carros eram Fusca, Gol, Passat e alguns poucos. Videogame, Atari ou Odyssey.
Brincava de bola, burica, peão, pique esconde e pega-pega. Certa vez meu irmão ganhou um carro de nome Pégasus. Uma maravilha, pois ele obedecia ao controle remoto. Imagine! Um carro que você controlava. Quando digo aos meus filhos que era possível a vida sem celular e as pessoas até olhavam-se eles não acreditam. E, por incrível que pareça, quem viveu nessa época pode constatar, havia vida sem WhatsApp, instagram e demais. Aliás, fotos realizavam-se na Polaroide. Quem lembra?
O japonês casava-se com a japonesa e não com a jamaicana que ele conheceu num site de relacionamentos. Tempos sem tecnologia, nada de facilidades... Hoje temos de tudo; infinitas marcas de carros, infindáveis biscoitos, incontáveis recursos tecnológicos, entretanto... Tudo ficou mais simples, porém, complicou. As facilidades que vieram atordoaram-nos. Parece que essas muitas opções trouxeram enorme angustia. Nunca tomamos tanto rivotril nem estivemos absurdamente deprimidos.
Os índices de suicídio estão altíssimos, a cada 40 segundos alguém tira a própria vida. Parece que as facilidades do mundo hodierno dificultaram as coisas para nós.
Penso que aí está o problema... Estamos morrendo de facilidades... Sei lá... quem sabe se o homem lá de cima jogar um pouco de dificuldade na vida a gente acorda. Quem sabe?
O autor é colaborador de Opinião