A globalização, articulada com o contato entre culturas e sociedades que tiveram desenvolvimento completamente díspares, desencadeia altos níveis de tensões que geram o terrorismo, conflitos na esfera política, vulnerabilidade econômica, volatilidade financeira, sempre agravados pela fome, disseminação das drogas, degeneração do clima e do meio ambiente. Não podemos mais ignorar o fato de que as tendências atuais estão se direcionando a limiares críticos e, à medida em que nos aproximamos destes limites, vislumbramos um ponto sem volta.
Nesse ponto, dois caminhos alternativos se abrem diante de nós. Um deles é o caminho do colapso ou do desastre, onde a rigidez do status quo impede nossas instituições estabelecidas de controlar essas tensões. O conflito e a violência assumem proporções globais e a anarquia surge como consequência.
O outro, é o caminho da evolução rumo a uma nova civilização centralizada no desenvolvimento humano. Neste caminho as pessoas sabem dos laços que as unem umas às outras, à biosfera e ao cosmos como um todo. Sabem que aquilo que fazemos aos outros e à natureza também fazemos a nós mesmos.
Vivemos, portanto, numa época – numa pequeníssima janela no tempo – em que temos uma responsabilidade sem precedentes: a de decidir o destino das próximas gerações. De um lado o espectro de um colapso global – econômico, social e ecológico e do outro a construção de uma civilização pacífica, sustentável e que proporcione um nível aceitável de bem-estar para todas as pessoas deste planeta.
Infelizmente, ainda são poucos os que estão horrorizados com o que veem: a impessoalidade insensível; a intolerância étnica; o aumento do desemprego e a ascensão da pobreza e da violência, principalmente, no centro decadente e na periferia de quase todas as cidades.
Infelizmente, ainda são poucos os que condenam o crescimento irrestrito, puramente quantitativo, da população, da produção, do consumo de energia e de materiais em um planeta finito e com uma biosfera delicadamente equilibrada. Infelizmente, ainda são poucos os que acreditam que as estruturas familiares estão se desfazendo; que criar filhos num ambiente acolhedor está se tornando difícil e que raras são as famílias que fazem suas refeições juntas e que quando o fazem, é provável que a TV ou o celular seja o centro das atenções.
Infelizmente, ainda são poucos os que não aceitam os valores predominantes e as visões de mundo e estilos de vida a eles associados. São poucos os que sabem que para sobreviver em nosso lar planetário precisamos criar um mundo mais bem adaptado às condições que nós mesmos criamos.
Infelizmente, ainda são poucos os que reconhecem a existência de uma grande verdade da vida: a impermanência. A impermanência é a virtude da realidade e nesse processo de negar que tudo está sempre em mudança, acumulamos e perdemos nossa percepção do que é sagrado na vida. Quando não lutamos contra a impermanência, ficamos em harmonia com tudo e com todos.
Em face de todas essas circunstâncias, como podemos garantir que o rumo que nossa civilização terá que tomar, será bom? Será que nossa civilização, no seu atual grau de desenvolvimento econômico e orientada para o poder e a riqueza, pode ser efetiva e suficientemente transformada de modo a garantir a sobrevivência e o bem-estar de toda a população humana?
Deixei a resposta a estas questões no título deste artigo.
O autor é professor titular aposentado do Departamento de Engenharia Mecânica da Faculdade de Engenharia da Unesp – Bauru