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Mais uma vez, fazenda Santo Antônio é ocupada

Rita de Cássia Cornélio e Cinthia Milanez
| Tempo de leitura: 2 min

Novamente, a fazenda Santo Antônio é ocupada pelos sem-terra. Desta vez, o local, que fica entre os quilômetros 355 e 356 da rodovia Cezário José de Castilho (SP-321), a Bauru-Iacanga, em Bauru, abriga aproximadamente 100 famílias ligadas à Força Nacional de Luta (FNL) desde a noite de sexta-feira (12). O grupo desocupou a mesma área, pertencente ao frigorífico Mondelli, há 40 dias.

São cerca de 200 pessoas e 80 veículos dentro do imóvel, conforme informações da FNL, fundada pelo antigo líder Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), José Rainha Júnior, em 2014. O movimento quer chamar a atenção das autoridades para agilizar a compra da propriedade rural pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra).

“O Incra quer comprar a área e tem o dinheiro disponível. Estamos dependendo de uma vistoria, mas o judiciário não autoriza. Temos toda a documentação. Os proprietários já se manifestaram nos autos. Queremos saber o que está acontecendo, que não liberam a vistoria e a compra,” diz um dos líderes do movimento, Thiago Franco.

Segundo ele, a desocupação da fazenda ocorrerá por liminar de reintegração de posse com conflito social. “Não temos prazo para sair. Quando sair a liminar da reintegração de posse, iremos causar um conflito social. Não vamos desacatar a lei, mas queremos chamar a atenção das autoridades, saber por que a juíza não se pronuncia, não marca a reunião com o pessoal do Incra”, pontua.

Reforma agrária

Ainda de acordo com Franco, o Incra demonstra interesse em habilitar o imóvel em favor da reforma agrária. Tanto que, como o JC noticiou na edição do dia 15 de junho deste ano, lideranças sem-terra vinculadas à FNL estiveram reunidas com o presidente do Incra, Leonardo Góes Silva, e o procurador-geral do órgão, Junior Divino Fideles, no dia anterior.

Na presença de José Rainha Júnior, eles vieram de Brasília a Bauru para apontar as áreas em que há interesse para reforma agrária em todo o Estado de São Paulo. A fazenda Santo Antônio é uma delas, conforme reforçou o próprio presidente do Incra, em entrevista recente ao JC. Na época, ele disse que o objetivo era fazer um acordo com o frigorífico Mondelli, que possui dívidas tributárias junto à União.

Questionado, o advogado e acionista do Grupo Mondelli, Constantino Mondelli Filho, defende que o movimento cometeu o crime de desobediência, porque desrespeitou determinações anteriores de reintegração de posse. Além disso, ele ficou de ingressar com novo pedido de reintegração nesta segunda-feira (15). O advogado acrescenta, ainda, que os proprietários não têm interesse em negociar a fazenda com o Incra, nem com os sem-terra.

 

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